O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou nesta terça-feira (30 de janeiro de 2024) a demissão do diretor-adjunto da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alessandro Moretti, em meio a uma investigação da Polícia Federal (PF) sobre suposta espionagem ilegal realizada pela agência.
A PF está apurando alegações de espionagem ilegal durante a gestão de Alexandre Ramagem, atualmente deputado pelo Partido Liberal (PL) do Rio de Janeiro, quando ele era diretor da Abin no governo de Jair Bolsonaro (PL). Um dos alvos dessa investigação é o vereador carioca Carlos Bolsonaro (Republicanos), filho do ex-presidente.
A exoneração de Moretti foi publicada em uma edição extra do Diário Oficial ainda na noite de terça-feira. Em nota, a Casa Civil comunicou que o novo diretor-adjunto da Abin será Marco Aurélio Chaves Cepik, servidor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que já estava cedido à Presidência da República desde 30 de março de 2023.
Cepik é Professor Titular de Relações Internacionais e Política Comparada na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e diretor da Escola de Inteligência da ABIN, em Brasília, desde abril de 2023.
A decisão de demitir Moretti veio após o presidente Lula considerar a possibilidade de sua demissão, condicionando-a à comprovação de que o diretor-adjunto mantinha uma relação com Ramagem. Lula expressou preocupação com as indicações para órgãos como a Abin, afirmando que o governo “nunca está seguro”.
A investigação da PF sugere um “possível conluio” entre integrantes da atual gestão da Abin com investigados pelo monitoramento de autoridades. Em um relatório encaminhado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, a corporação menciona uma conversa de 28 de março de Moretti, então diretor-geral da agência, com agentes investigados.
Moretti teria afirmado que o processo tem “fundo político e iria passar” e que conseguiu “apoio lá de cima”. O atual diretor-geral, Luis Fernando Correa, estava presente na conversa, mas ainda não tinha assumido o cargo na época.
A operação da PF para investigar a suposta espionagem ilegal realizada pela Abin foi autorizada por Moraes e teve como um dos alvos o ex-diretor da agência, Alexandre Ramagem, que chefiou o órgão durante parte do governo Bolsonaro.