Lula deve abordar crise entre Guiana e Venezuela na viagem ao Caribe
Encontro bilateral com presidente guianês será quinta-feira.
- Foto: Ricardo Stuckert/PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está programando uma visita à Guiana na próxima quinta-feira (29), onde se reunirá com o chefe de governo local, Irfaan Ali, para discutir uma série de questões bilaterais. Embora a principal agenda de Lula seja a participação como convidado especial no encerramento da 46ª Cúpula de Chefes de Governo da Comunidade do Caribe (Caricom), a reunião com o presidente Ali está confirmada e deverá abordar assuntos cruciais, incluindo a disputa territorial entre Guiana e Venezuela pela região de Essequibo.
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A embaixadora Gisela Padovan, secretária de América Latina do Ministério das Relações Exteriores (MRE), destacou a importância da viagem de Lula para fortalecer os laços com a Caricom e reforçar a agenda bilateral com a Guiana. “O presidente Lula está indo porque foi convidado para se reaproximar da Caricom. Agora, ele estando lá, não vai perder a oportunidade de se reunir com o presidente Ali e apresentar uma agenda bilateral”, afirmou Padovan durante entrevista na última sexta-feira (23).
Quando questionada sobre o papel do Brasil na mediação da crise entre Guiana e Venezuela, Padovan ressaltou a postura neutra do governo brasileiro e a busca por uma solução negociada. “O Brasil não se manifesta a respeito do cerne da questão entre Guiana e Venezuela, porque não nos compete. O que nos compete é facilitar o diálogo”, explicou a embaixadora.
Em dezembro de 2023, os presidentes Nicolás Maduro, da Venezuela, e Irfaan Ali, da Guiana, assinaram uma declaração conjunta comprometendo-se a não usar a força um contra o outro na disputa territorial. Esta iniciativa foi realizada durante uma reunião mediada pelo primeiro-ministro Ralph Gonsalves, de São Vicente e Granadinas, onde Lula também deve se encontrar na próxima sexta-feira (1º de março) durante a abertura da 8ª cúpula da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), em Kingstown.
Desde a eclosão da crise, o Brasil tem desempenhado um papel ativo na mediação do diálogo entre os dois países, juntamente com São Vicente e Granadinas e Dominica, visando uma solução pacífica para a controvérsia territorial. A Venezuela realizou uma consulta popular no final do ano passado, aprovando a incorporação de Essequibo, região disputada há décadas, o que intensificou as tensões na região. O Brasil, por ser o único país com fronteiras com ambos os países, tem interesse direto na resolução do conflito, uma vez que um eventual conflito militar pode afetar a segurança de Roraima, estado fronteiriço.

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