A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou há oito anos o uso da vacina Dengvaxia, produzida pelo laboratório Sanofi, contra a dengue no Brasil. No entanto, apesar do aval, o imunizante nunca foi disponibilizado na rede pública de saúde.
A Dengvaxia chegou a ter seu processo de incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS) solicitado pela Sanofi, mas a empresa desistiu do pedido antes que a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec) do Ministério da Saúde pudesse avaliá-lo.
O laboratório justificou a desistência com base na abordagem de administração da vacina, que requer que o paciente já tenha sido infectado previamente pelo vírus da dengue. Segundo a Sanofi, a vacina é indicada para quem teve infecção comprovada por dengue, o que exigiria uma exposição prévia ao vírus.
Embora a Dengvaxia não esteja disponível no SUS, desde 2016, o imunizante tem autorização para ser comercializado no Brasil e pode ser adquirido por iniciativas privadas. A vacina é considerada segura e eficaz para proteção contra os quatro sorotipos da dengue, mas apenas para pessoas previamente infectadas pela doença.
Enquanto isso, o SUS oferece gratuitamente à população brasileira a vacina QDenga, fabricada pela farmacêutica japonesa Takeda. Esta vacina demonstrou redução de até 90% das hospitalizações por dengue entre os indivíduos que receberam as duas doses necessárias, aplicadas com intervalo de três meses entre elas.
A vacinação com a QDenga teve início no Distrito Federal para crianças de 10 e 11 anos, devido à concentração de casos de hospitalização nessa faixa etária. Apesar do alto risco de quadros graves também entre idosos, a Anvisa não recomendou o uso da vacina para esse público.