Pagamento de altos cachês a artistas levam prefeituras aos tribunais
Prefeituras do interior dispostas a pagar altos cachês a artistas para fazerem shows em suas cidades têm sido alvo de denúncias.
Prefeituras do interior dispostas a pagar altos cachês a artistas para fazerem shows em suas cidades têm sido alvo de denúncias de mau uso de recursos públicos que terminam nos tribunais. A situação, que vem despertando a atenção do Ministério Público e de adversários políticos, foi evidenciado recentemente em matérias do jornal O Globo.
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No município de Três Rios, no Rio de Janeiro, a prefeitura está no centro de uma disputa judicial com o Ministério Público. A investigação apura possíveis casos de superfaturamento nos cachês destinados a artistas que se apresentaram no carnaval local. Nomes como Cláudia Leite, Alexandre Pires e Belo receberam cifras consideráveis, alcançando R$ 500 mil, R$ 480 mil e R$ 250 mil, respectivamente. Os valores excessivos chamaram a atenção das autoridades, levando a questionamentos sobre a adequação dos gastos públicos.
Em Embu das Artes, São Paulo, a celebração do aniversário da cidade foi marcada por uma suspensão controversa. O show de Leo Santana, contratado para o evento, ficou suspenso por dois dias após um pedido do então vereador Abidan Henrique (PSB), que conseguiu na Justiça uma liminar para embargar a apresentação. O político, no entanto, teve seu mandato cassado 12 dias após a decisão judicial, lançando luz sobre possíveis motivações políticas por trás do embate.
A Bahia também se viu envolvida em situações semelhantes, com o Ministério Público estadual obtendo decisões favoráveis para a suspensão de shows. Em Campo Alegre de Lourdes, um show do cantor Gusttavo Lima marcado para os festejos de Nossa Senhora de Lourdes foi interrompido pela Justiça, que atendeu ao pedido do MP. A prefeitura local gastaria exorbitantes R$ 1,3 milhão apenas para contar com a presença do renomado cantor, levantando questionamentos sobre a prioridade dos gastos públicos.
O problema não se limita a esses casos isolados, e as prefeituras municipais do Amazonas têm enfrentado escrutínio devido aos vultosos cachês pagos a artistas.
No final do ano passado, o prefeito de Rio Preto da Eva, Anderson Sousa (PP), protagonizou um episódio polêmico ao anunciar um Réveillon ‘ostentação’ para a população local. Esse evento, marcado pela opulência, ocorreu na mesma semana em que o prefeito, em meio a um ataque de fúria contra opositores, solicitou o parcelamento de dívidas previdenciárias. O contraste entre os gastos festivos e as demandas financeiras do município gerou indignação e levou órgãos de controle a intensificar a fiscalização.
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O pagamento de altos cachês a artistas para shows em cidades do interior revela uma prática recorrente que suscita preocupações quanto à responsabilidade na gestão dos recursos públicos. Enquanto as batalhas judiciais se desenrolam, a sociedade espera respostas claras sobre a justificativa para tais gastos, questionando a prioridade dada a eventos festivos em detrimento de investimentos em áreas essenciais para o desenvolvimento local.
Outro caso, ocorrido no ano passado, foi o show do cantor Zé Vaqueiro que foi contratado pelo prefeito de Manacapuru Beto D’Ângelo por R$ 490 mil para se apresentar na I Feira Agropecuária de Manacapuru (Expomanacá 2023). O Ministério Público do Amazonas fez um pedido de medida cautelar contra a prefeitura, para apuração de possíveis irregularidades acerca do termo de contrato n° 34/2023 entre o município e a empresa “Zé Vaqueiro Original Music LTDA”. Porém, o conselheiro Mario de Mello, do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM), manteve a apresentação.
*Com informações de O Globo e O Poder
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