Partido Socialista lança Maduro como candidato à reeleição na Venezuela
As eleições presidenciais estão marcadas para 28 de julho mas a oposição foi impedida de participar.
- Foto: Reprodução
O Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), atualmente no poder, anunciou o ditador Nicolás Maduro como seu candidato para as eleições presidenciais marcadas para 28 de julho. A decisão foi comunicada através de uma publicação na rede social X (antigo Twitter) neste domingo (10), após três dias de assembleias realizadas em diferentes estados do país, onde os militantes expressaram seu apoio ao atual presidente.
Embora a proclamação oficial como candidato esteja agendada apenas para a próxima sexta-feira (15), Nicolás Maduro já agradeceu o apoio de seus partidários. A escolha do dia 28 de julho para as eleições respeita o acordo estabelecido pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) na terça-feira, que definiu a realização das eleições no segundo semestre de 2024. No entanto, esta data pode impactar o cronograma das missões internacionais de observação.
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O CNE enviou convites para a União Europeia (UE), a Organização das Nações Unidas (ONU) e o Centro Carter dos Estados Unidos, convidando-os a observar o processo eleitoral. A indicação oficial de candidatos ao CNE está programada para ocorrer entre 21 e 25 de março. A escolha do dia de votação, 28 de julho, coincide com o aniversário do ex-presidente Hugo Chávez, enquanto o anúncio da candidatura de Maduro ocorreu no mesmo dia em que se comemoraram 11 anos de sua morte.
Nicolás Maduro expressou sua gratidão em um áudio transmitido na rede social X, dizendo: “Agradeço por todas as suas expressões de amor, todas as suas bênçãos, todo o seu apoio, e vamos unir todos os que podem ser unidos e convocados pelo povo para o domingo, 28 de julho.”
Felicito al PSUV y al pueblo de a pie, jefes, jefas de calles y unidades de batallas que han realizado sus Asambleas y propuestas. Hoy con 15 mil 850 UBHC con la conciencia y el sentimiento más profundo. Vamos todos unidos en marcha constante y segura, rumbo al 28 de julio.… pic.twitter.com/w2GpzmPg3x
— Nicolás Maduro (@NicolasMaduro) March 10, 2024
Diosdado Cabello, considerado o número dois do chavismo, já havia afirmado na quarta-feira que não tinha “nenhuma dúvida” de que Nicolás Maduro seria o candidato do PSUV “por consenso”. Essa declaração confirma a confiança e apoio dentro do partido em relação à liderança de Maduro, que emergiu como herdeiro político do falecido Hugo Chávez.
O agendamento da votação para o aniversário de Chávez pode ser interpretado como uma estratégia simbólica do PSUV para mobilizar o eleitorado em torno da figura carismática do falecido líder. No entanto, a escolha desta data também levanta questões sobre a imparcialidade do processo eleitoral e pode gerar preocupações entre os observadores internacionais.
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O CNE espera a participação ativa de organismos internacionais, como a União Europeia e a ONU, na observação do processo eleitoral, buscando garantir transparência e credibilidade. A decisão de realizar eleições no segundo semestre de 2024 foi um compromisso assumido para atender às demandas de várias partes interessadas, mas a escolha de uma data significativa como o aniversário de Hugo Chávez pode gerar debates sobre a isenção do processo.
À medida que a data oficial da proclamação de Nicolás Maduro se aproxima, a Venezuela permanece no centro das atenções políticas, enquanto observadores internacionais e cidadãos aguardam os desdobramentos desse crucial momento na história política do país.
Oposição barrada pela ditadura
Não se tem conhecimento sobre o possível candidato de oposição, nem se haverá um. Os principais líderes opositores foram proibidos de participar.
María Corina Machado, vitoriosa por grande maioria nas primárias da oposição em outubro, está inelegível. O Supremo Tribunal da Venezuela, alinhado com o regime ditatorial de Maduro, manteve uma decisão da Justiça Eleitoral que a impede de concorrer a cargos públicos por 15 anos.
Outros opositores, como Henrique Capriles e Juan Guaidó, também estão impedidos de se candidatar, por decisão tomada em junho de 2023 pela Controladoria-Geral do país, também aliada de Maduro.
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