Vítimas de tortura na Venezuela testemunham em comissão da Organização dos Estados Americanos
“Deram-me choques elétricos nas costas e no peito. A carne caiu em pedaços, pude ver os tendões dos meus pés”, disse o ex preso político Jesús Alemán.

Foto: Reprodução/X
Em uma comovente audiência perante a Organização dos Estados Americanos (OEA), testemunhas venezuelanas relataram atrocidades cometidas pelo Estado venezuelano, incluindo assassinatos, torturas e desaparecimentos forçados, durante o regime de Nicolás Maduro. Os depoimentos impactantes foram dados em resposta ao pedido das Nações Unidas ao Tribunal Penal Internacional (TPI) para que emita mandados de prisão contra torturadores na Venezuela.
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Olga González, esposa de Leonardo González, assassinado por agentes estatais durante um protesto, denunciou a execução extrajudicial de seu marido. “O veículo dele recebeu 21 tiros. Quando o revistaram, meu marido tinha quatro balas no bolso, essas eram as armas dele. Não há uma única evidência que diga que esses funcionários receberam uma pedra ou um único arranhão. Aqui houve uma execução extrajudicial… houve um massacre”, afirmou González.
Jesús Alemán, ex-preso político, descreveu os tormentos que suportou sob custódia do regime de Maduro: “Deram-me choques elétricos nas costas e no peito, só pensei na minha família, namorada e amigos, e isso deu-me forças para seguir em frente. Negaram-me assistência médica. A carne caiu em pedaços, pude ver os tendões dos meus pés.”
Nixon Leal Toro também compartilhou sua angustiante experiência de desaparecimento forçado e tortura: “Minha mãe até me procurou no necrotério, ninguém sabia do meu paradeiro. Homens uniformizados não identificados me levaram para um prédio e me torturaram. Eles me enforcaram por períodos de tempo e cobriram meu rosto com um capuz.”
O capitão Luis de la Sota relatou humilhações e abusos sofridos durante sua detenção: “Eles me forçaram a ficar nu, mesmo na presença de funcionárias mulheres. Bateram-me na cabeça, insultaram-me, zombaram de mim, disseram-me que iam violar a minha mulher, que os direitos humanos não existiam. Eles me privaram de comida e tive que fazer minhas necessidades no chão.”
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O painel de especialistas da OEA concluiu que houve “um ataque sistemático organizado pelo Estado sob a direção de membros do atual regime contra a população civil” na Venezuela. Os especialistas destacaram a urgência de intervenção do TPI nas investigações contra os responsáveis por esses crimes.
A recomendação da OEA é que o TPI tome medidas urgentes para responsabilizar os autores dessas violações dos direitos humanos e garantir justiça para as vítimas e suas famílias. A audiência reforçou a necessidade de ações concretas e internacionais para enfrentar os abusos de poder e a impunidade no contexto venezuelano.
Redação AM POST
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