Importação de arroz pelo governo Lula é classificada como ‘desrespeito’ e ‘abuso de poder político’
A medida foi duramente contestada durante debate no plenário do Congresso Nacional na terça-feira (28).

Foto: Reprodução
A recente decisão do governo Lula de autorizar a importação de 1 milhão de toneladas de arroz para ser vendido nos mercados brasileiros com um rótulo próprio desencadeou uma onda de críticas entre parlamentares ligados ao agronegócio. A medida foi duramente contestada durante debate no plenário do Congresso Nacional na terça-feira (28).
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O deputado Pedro Lupion (PP-PR), presidente da Frente Parlamentar do Agronegócio, classificou a iniciativa como “abuso de poder político”. Segundo ele, a venda de arroz com a marca do governo federal representa uma forma de propaganda eleitoral e é desnecessária, especialmente considerando que o Rio Grande do Sul, maior produtor de arroz do país, já colheu a maior parte da sua safra. “Vai prejudicar os agricultores de arroz do Rio Grande do Sul que não perderam tudo na inundação”, afirmou Lupion.
A senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura, também se posicionou contra a medida. Ela argumentou que a venda do arroz importado com a campanha do governo desestimula os produtores nacionais e criticou a demora esperada para que o produto importado chegue ao Brasil. “Há diferenças entre o arroz asiático e o brasileiro, o que pode dificultar a aceitação pelo consumidor”, observou.
O senador Ireneu Orth (PP-RS) sugeriu que o governo poderia ter adquirido arroz de produtores nacionais em vez de recorrer à importação. “Somando a safra gaúcha à de outros Estados era possível atender a todo o país”, disse Orth, enfatizando que a decisão do governo desrespeita os agricultores brasileiros e favorece o produto estrangeiro em detrimento da produção nacional.
O governo federal planeja investir R$ 7,2 bilhões para a compra do arroz importado, que será vendido em supermercados de sete regiões metropolitanas em embalagens com a marca da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e a inscrição “arroz adquirido pelo governo federal”, ao preço tabelado de R$ 8 o pacote de 2 quilos.
Produtores e vendedores de arroz brasileiros consideraram a medida uma intervenção estatal, uma vez que o volume importado representa cerca de 10% do consumo anual de arroz no país.
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O governo argumenta que a importação é necessária para conter aumentos de preços após as enchentes no Rio Grande do Sul e combater a especulação. No entanto, Lupion e Tereza Cristina acreditam que os preços subiram devido à decisão do governo de realizar leilões para a compra do produto.
Redação AM POST
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