Caso Djidja Cardoso: Família é suspeita de viciar pessoas em drogas na seita “Pai, Mãe, Vida”
De acordo com o Inquerito Policial, o foco da seita seria tornar os integrantes desse segmento de cunho religioso dependentes químicos.
- Polícia apreende caixas de Cetamina na casa de Djidja Cardoso; anestésico é usado como droga ilícita-Foto: Divulgação
Caso Djidja Cardoso – Em uma operação que chocou a sociedade amazonense, a Polícia Civil desmantelou uma organização criminosa disfarçada de seita religiosa, intitulada “Pai, Mãe, Vida”. A investigação culminou na prisão preventiva dos empresários Ademar Cardoso Neto, 29 anos, e Cleusimar Cardoso, 53 anos, irmão e mãe da conhecida empresária e ex-sinhazinha do Boi Garantido, Djidja Cardoso, 32 anos, que faleceu na última terça-feira (28). As acusações contra o grupo são vastas e incluem tráfico de drogas, associação para o tráfico, e uma série de crimes graves contra a saúde e a integridade das pessoas envolvidas.
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O inquérito policial revelou que a seita tinha como principal atividade o tráfico de drogas sintéticas de uso veterinário, com destaque para a ketamina. As drogas eram administradas forçadamente aos seguidores, com o objetivo de torná-los dependentes químicos. Documentos apreendidos indicam que a seita se baseava em um sistema hierárquico bizarro e manipulador. Ademar Cardoso Neto era considerado a figura de Jesus na Terra, Cleusimar assumia o papel de Maria, e Djidja Cardoso era Maria Madalena.
A investigação descobriu que os líderes da seita promoviam a crença de que o uso compulsório de ketamina permitiria aos seguidores transcender a uma outra dimensão e alcançar um plano superior, prometendo uma falsa salvação. Essa doutrinação servia para manter os seguidores subjugados e dependentes, utilizando a fé e a vulnerabilidade emocional como ferramentas de controle.
“A gente conseguiu levantar informações que levavam a existência de uma seita que teria sido criada por essa família, e que essa seita tinha uma rede de salões de beleza, e induziam seus funcionários e pessoas da sua proximidade, a consumir a se injetar com esse tipo produto, a ketamina, um fármaco utilizado pra anestesiar cavalos e animais de grande porte, mas era usada por essa quadrilha para que as pessoas pudessem entrar numa espécie de transe, afim de que, segundo eles mesmos em depoimento, transcender a uma outra dimensão”, disse o Delegado Cícero Túlio, titular do 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP), em coletiva de imprensa.
Durante as diligências da Polícia Civil realizadas em diversos locais ligados à seita, policiais apreenderam uma grande quantidade de medicamentos destinados a acesso venoso, agulhas, aparelhos celulares, documentos e computadores.
Além do tráfico de drogas e da associação para o tráfico, a seita é investigada por uma série de outros crimes. Entre eles estão perigo para a saúde ou para a vida de outrem; falsificação, corrupção e adulteração de produtos destinados para fins terapêuticos e medicinais; aborto provocado sem consentimento da gestante; estupro de vulnerável; charlatanismo; curandeirismo; sequestro; cárcere privado e constrangimento ilegal. A lista extensa de acusações reflete a brutalidade e a extensão das atividades criminosas realizadas sob o manto da religião.
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