Empresa dos irmãos Batista teve reuniões com ministro de Lula antes de ser beneficiada na compra de termoelétricas no Amazonas
Ministro Alexandre Silveira se encontrou com presidente da Âmbar fora da agenda oficial.
- Empresa dos irmãos Batista teve reuniões com ministro de Lula antes de ser beneficiada na compra de termoelétricas no Amazonas-Foto: reprodução
A recente aquisição de 12 usinas térmicas da Eletrobras pela Âmbar Energia, administrada pelos irmãos Wesley e Joesley Batista, está envolta em uma nuvem de suspeitas e críticas. A transação de R$ 4,7 bilhões, que inicialmente parecia ser um movimento estratégico no setor energético, agora revela-se como um potencial escândalo devido a uma série de eventos subsequentes que levantam questões sérias sobre a transparência e ética dos envolvidos. Foi revelado que executivos da empresa tiveram reuniões no Ministério de Minas e Energia fora da agenda oficial.
Logo após a compra das usinas, a Âmbar Energia foi surpreendentemente beneficiada por uma Medida Provisória (MP) do governo Lula. Essa MP, entre outras coisas, propõe que caso a empresa adquira a Amazonas Energia, a dívida de R$ 9 bilhões da concessionária seja convertida em participação societária na Eletrobras. Esta medida, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 13 de junho, trouxe vantagens claras para a companhia dos Batista, ao mesmo tempo em que repassou custos significativos para os consumidores brasileiros.
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A situação se agrava com a revelação de que os executivos da Âmbar Energia foram recebidos 17 vezes no Ministério de Minas e Energia fora da agenda oficial. Esses encontros, que ocorreram entre junho de 2023 e maio deste ano, antecederam a edição da MP que beneficiou diretamente os negócios da companhia na área de energia elétrica. O fato de tais reuniões não estarem registradas na agenda pública do ministro Alexandre Silveira e de outros altos funcionários do ministério levanta sérias dúvidas sobre a legalidade e a ética dessas interações.
Entre os encontros não documentados estavam reuniões com o ministro Alexandre Silveira, o secretário-executivo Arthur Cerqueira, o secretário nacional de Energia Elétrica Gentil Nogueira, e o ex-secretário-executivo Efrain Cruz. A última dessas reuniões ocorreu em 29 de maio, apenas uma semana antes de a medida provisória ser encaminhada do Ministério das Minas e Energia para a Casa Civil. Esse timing levanta suspeitas sobre a natureza dos assuntos discutidos e se as conversas influenciaram diretamente na elaboração da MP.
O chefe da pasta, Alexandre Silveira, encontrou-se com o presidente da Âmbar, Marcelo Zanatta, em duas ocasiões em maio, sem que esses encontros constassem em sua agenda oficial. Esse comportamento clandestino é preocupante e fere os princípios de transparência que deveriam nortear a administração pública.
O Ministério de Minas e Energia e a Âmbar Energia afirmaram ao jornal O Estado de S. Paulo que as conversas não trataram da medida provisória. No entanto, a falta de clareza sobre o conteúdo das reuniões só aumenta a desconfiança. A justificativa vaga e a ausência de registros oficiais alimentam especulações de que os interesses privados da Âmbar Energia possam ter influenciado decisões políticas e econômicas de grande impacto para o setor energético do país.
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O caso veio à tona após um pedido de informações via Lei de Acesso à Informação formulado pelo partido Novo, que trouxe à luz os registros dos encontros. Esta revelação aponta para uma necessidade urgente de maior escrutínio e transparência nas relações entre empresas privadas e órgãos governamentais, especialmente quando estão em jogo interesses bilionários e o impacto direto sobre a população.
Entenda o caso
As usinas estavam à venda desde julho de 2023, mas não despertavam interesse devido à delicada situação financeira da Amazonas Energia, principal cliente das usinas. A distribuidora acumula uma dívida de R$ 9 bilhões, que continua a crescer em R$ 150 milhões por mês, o que afastava potenciais compradores temendo o calote.
Apesar do cenário desfavorável, a Âmbar Energia ofereceu R$ 4,7 bilhões pelas usinas, surpreendendo o mercado. O anúncio do negócio, realizado no último dia 10 de junho, levantou dúvidas sobre a viabilidade financeira da transação. Apenas dois dias depois, uma Medida Provisória (MP) do governo Lula transferiu o custo mensal de R$ 150 milhões das usinas para as contas de luz de todos os consumidores brasileiros, gerando ainda mais controvérsias.
A MP, assinada pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, também concedeu um prazo de 60 dias para que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) encontrasse uma solução para a situação da Amazonas Energia. Pelas regras atuais, a concessão teria de ser devolvida à União, que arcaria com um prejuízo anual de R$ 2 bilhões a R$ 4,7 bilhões. Contudo, a nova medida permite que a Aneel flexibilize essa regra, possibilitando que uma empresa assuma a distribuidora.
Essa flexibilização abre uma porta estratégica para os irmãos Batista. Caso a Âmbar Energia compre a Amazonas Energia, a dívida de R$ 9 bilhões pode ser convertida em participação societária na Eletrobras. Em outras palavras, os R$ 4,7 bilhões investidos nas usinas podem se transformar em um negócio altamente lucrativo para os empresários, graças às novas condições estabelecidas pela MP.
O movimento do governo transformou, em apenas 48 horas, um investimento aparentemente arriscado em uma oportunidade valiosa para beneficiar os aliados de Lula.
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