Israel anuncia morte de comandante do Hamas em bombardeio na Faixa de Gaza
O ataque israelense na área de Khan Younis resultou na morte de pelo menos 90 palestinos.

Foto: Yousef Masoud / The New York Times
O Exército de Israel anunciou neste domingo (14) a morte de Rafa Salama, comandante da brigada Khan Younis do Hamas, em um bombardeio realizado no sábado (13) no sul da Faixa de Gaza. O ataque israelense na área de Khan Younis resultou na morte de pelo menos 90 palestinos, segundo autoridades de saúde locais, e colocou em dúvida as negociações de cessar-fogo em andamento.
O alvo principal do ataque era Mohamed Deif, mas não há confirmação sobre seu destino. Segundo os militares israelenses, Salama era um dos “cúmplices próximos de Mohamed Deif, comandante da ala militar do Hamas”. Ambos foram apontados como “dois mentores do massacre de 7 de outubro”, data em que os combatentes do Hamas lançaram um grande ataque no sul de Israel, desencadeando a guerra em Gaza.
“O bombardeio foi realizado em uma zona fechada administrada pelo Hamas”, afirmou o Exército israelense, acrescentando que “a maioria das vítimas eram terroristas”. No entanto, o Ministério da Saúde da Faixa de Gaza, governado pelo Hamas, informou que 92 pessoas morreram no sábado no bombardeio contra o campo de deslocados de Al-Mawasi, perto de Khan Younis, sendo a maioria mulheres e crianças.
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Na noite de sábado, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou que não havia “nenhuma certeza” de que Deif e Salama tivessem sido “eliminados”.
Uma autoridade sênior do Hamas afirmou neste domingo que o grupo islâmico não se retirou das negociações de cessar-fogo com Israel, apesar dos ataques mortais do fim de semana em Gaza. Izzat El-Reshiq, membro do gabinete político do Hamas, acusou Israel de tentar dificultar os esforços dos mediadores árabes e dos Estados Unidos para alcançar um acordo de cessar-fogo, intensificando seus ataques.
Nos últimos dias, havia sinais esperançosos de que um acordo seria alcançado para acabar com os combates e devolver os reféns mantidos em Gaza. No entanto, duas fontes de segurança egípcias envolvidas nas negociações em Doha e no Cairo disseram no sábado que, após três dias de intensas conversas, as discussões foram interrompidas.
Era esperado que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, se reunisse com seu círculo próximo de ministros ainda neste domingo para discutir as negociações. “O ataque em Khan Younis foi resultado de inteligência cirúrgica”, disse o chefe do serviço de segurança doméstica Shin Bet, em vídeo divulgado. Segundo ele, 25 agentes do Hamas que participaram do ataque de 7 de outubro foram mortos na semana passada.
No sábado, uma autoridade sênior do Hamas negou que Deif tivesse sido morto e o grupo disse que as alegações israelenses visavam justificar o ataque.
Neste domingo, as forças israelenses continuaram os bombardeios aéreos e terrestres contra várias áreas do território costeiro, onde vivem 2,3 milhões de pessoas, a maioria já deslocada pela guerra. Um ataque a uma escola administrada pela ONU no campo de Nuseirat matou 15 palestinos e feriu dezenas de pessoas, informaram as autoridades de saúde e meios de comunicação do Hamas.
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Os militares israelenses disseram que o local foi usado como base para os combatentes do Hamas atacarem as forças israelenses e que várias medidas foram tomadas para reduzir o risco de ferir civis, como o uso de munições precisas e inteligência.
Moradores relataram que dois mísseis atingiram o andar de cima de uma escola próxima ao mercado local do campo de refugiados, geralmente ocupado por comerciantes e onde famílias deslocadas também se abrigam.
No início do domingo, ataques aéreos israelenses contra quatro casas na Cidade de Gaza mataram pelo menos 16 palestinos e feriram dezenas de pessoas, disseram médicos.
O Ministério da Saúde de Gaza informou que, desde o início da guerra em outubro, pelo menos 38.584 palestinos morreram e 88.881 ficaram feridos na ofensiva militar de Israel. O último ataque na Faixa de Gaza deixou 141 palestinos mortos, o maior número de mortos em um dia em muitas semanas. O ministério não distingue entre combatentes e não-combatentes, mas as autoridades dizem que a maioria dos mortos durante a guerra foram civis.
Israel perdeu 326 soldados em Gaza e afirma que pelo menos um terço das vítimas palestinas são combatentes.
A guerra entre Israel e Hamas começou em 7 de outubro de 2023, quando um ataque liderado pelo grupo islâmico dentro de Israel matou 1.200 pessoas, a maioria civis, e fez cerca de 250 reféns para Gaza, segundo autoridades israelenses.
Redação AM POST
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