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Política

María Corina diz que entregaria atas eleitorais obtidas pela oposição da Venezuela ao governo Lula

Até hoje, o Conselho Nacional Eleitoral não entregou as atas de votação que comprovariam a declaração de vitória de Maduro.

08/08/2024 às 06:30

A líder da oposição da Venezuela, María Corina Machado, afirmou nesta quarta-feira, 7, que entregaria as atas em poder de seu grupo para o governo brasileiro e demais países que solicitarem para “constatar a validez” dos documentos. Em entrevista ao jornal O Globo, ela disse reconhecer os canais de Brasil, México e Colômbia para uma possível solução negociada com a ditadura de Nicolás Maduro.

“Temos 83,5% das atas, e temos essas atas porque funcionários do CNE acompanharam nossa luta. Podemos entregar as atas eleitorais ao governo do Brasil, e a qualquer outro governo do mundo que quiser constatar a validez do que temos. Que obriguem o regime a entregar suas atas”, afirmou a opositora.

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“Essas atas seriam a prova da fraude, as nossas são a prova da vitória de Edmundo. O CNE tinha 48 horas, e os prazos venceram. Recorreram ao Tribunal Superior de Justiça e a uma sala eleitoral que não têm competência. O que estão fazendo é inconstitucional. A responsabilidade é do CNE”, continuou.

A Globonews, o assessor especial de relações internacionais do Planalto, Celso Amorim, colocou em dúvida os dados da oposição.

Até hoje, o Conselho Nacional Eleitoral não entregou as atas de votação que comprovariam a declaração de vitória de Maduro. Enquanto isso, a oposição correu para reunir o maior número de atas possíveis que comprovariam o resultado favorável para Edmundo González Urritia.

Além das atas emitidas pelo CNE ao fim da totalização, cada urna emite sua própria ata que é entregue ao fiscal de urna. São essas as atas que a oposição diz ter reunido. Apurações independentes feitas por organizações e jornais também indicam tendência de vitória de González Urrutia e países como Estados Unidos, Uruguai e Argentina já reconheceram a vitória do opositor. O Brasil se limita a exigir a publicação das atas pelo CNE.

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María Corina também reconheceu os esforços de Brasil, México e Colômbia para criar canais de diálogo em meio à situação. “Reconheço o esforço [do Brasil] e acho que é necessário que exista um espaço de mediação entre as partes para que a solução do conflito seja pacífico, e o mais rapidamente possível.”

“Os três países têm canais de diálogo com os dois lados, e sua presença é importante. Mas também deveriam estar outros países da América Latina e da Europa. Estou de acordo que, nesta primeira fase, [estes três países] estejam levando o processo adiante”, continuou.

Quando questionada se havia tentado um contato com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, María Corina se esquivou de responder diretamente. “Falo com muitos presidentes, e com alguns não falo Falo com chanceleres e tenho comunicação com o governo do Brasil. Quero reiterar meu agradecimento ao presidente Lula e à sua chancelaria pelas gestões para assumir a proteção da embaixada e funções consulares da Argentina, incluindo a proteção de nossos seis colaboradores”, disse.

A líder comentou sobre a prisão de sua chefe regional de campanha do estado de Portuguesa, María Oropeza, registrada ontem em uma transmissão ao vivo. “Ela foi sequestrada por órgãos de segurança do Estado. A repressão também chegou aos bairros mais humildes. Prendem pessoas que simplesmente protestaram contra a fraude. É brutal.”

Também hoje, o chefe da Assessoria Especial da Presidência da República, Celso Amorim, que esteve em Caracas nos dias das eleições como observador pelo Brasil, disse temer um conflito mais grave no país onde mais de 2 mil pessoas já foram presas e mais de 20 já morreram desde os protestos pós-eleitorais. “Eu temo muito que possa haver um conflito muito grave. Eu não quero usar a expressão guerra civil, mas conflito temo muito”, disse em entrevista à Globonews.

Em carta assinada por María Corina e Edmundo González – como presidente eleito -, eles pedem que as Forças Armadas se coloquem ao lado do povo e parem de reprimir os protestos, sugerindo que as tropas abandonem o apoio a Maduro. Os militares, porém, reforçaram sua lealdade ao chavismo após o apelo.

Estadão Conteúdo

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