Auxiliar de Moraes diz em mensagens vazadas que ministro escolhia alvos: ‘Ele quer pegar o Eduardo Bolsonaro’
Mensagens obtidas pela Folha de S.Paulo mostram que o ministro mandou investigar o deputado federal e indicou o que fazer.
- Foto: Reprodução
Em uma revelação que intensifica ainda mais o clima político no Brasil, mensagens de WhatsApp trocadas entre assessores do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), indicam que o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) era um dos alvos das ações do magistrado. As mensagens foram divulgadas pelo jornal Folha de S.Paulo e datam de novembro de 2022, quando Moraes ainda presidia o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O conteúdo exposto aponta que Marco Antônio Vargas, juiz auxiliar de Moraes, e Eduardo Tagliaferro, então chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação (AEED), discutiram diversas vezes sobre a possibilidade de vincular Eduardo Bolsonaro a um ativista argentino, acusado de disseminar informações falsas sobre uma suposta fraude nas eleições presidenciais de 2022.
Em uma troca de mensagens de 4 de novembro, Vargas expressa de forma clara a intenção de Moraes em focar no filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Ele quer pegar o Eduardo Bolsonaro”, escreveu Vargas, ao que Tagliaferro respondeu: “A ligação do gringo com o Eduardo Bolsonaro”. Na sequência, Tagliaferro questiona: “Será que tem?”, referindo-se a provas que pudessem estabelecer essa conexão.
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No dia seguinte, 5 de novembro, o tema voltou a ser discutido. Tagliaferro mencionou a existência de um vídeo que mostrava Eduardo Bolsonaro com a bandeira de um jornal que havia transmitido uma live na qual se discutia a suposta fraude eleitoral. “Conseguimos aí relacionar ele àquilo”, afirmou Tagliaferro. O juiz auxiliar de Moraes, em resposta, celebrou a descoberta: “Que beleza”.
A relação entre o deputado e o ativista argentino pareceu se fortalecer ainda mais na visão dos assessores, quando, em 6 de novembro, Tagliaferro informou Vargas que os dois eram “amigos já faz 10 anos”. O chefe da AEED foi além, alertando que uma eventual prisão de Eduardo Bolsonaro poderia causar uma reação desastrosa no país: “Se prender o EB, o Brasil entra em colapso”. A resposta de Vargas foi categórica: “Esse é bandido”.
Nome de Eduardo Bolsonaro aparece em relatório
Às 15h48, após uma pausa na conversa, Tagliaferro enviou a Vargas um relatório intitulado: “TSE – Relatório – Análise Manifestações Antidemocráticas Fernando Cerimedo”.
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“Veja se o ministro vai gostar”, escreveu, em outra mensagem.
Segundo a Folha, além de prints dos vídeos do ativista, o relatório possuía fotos do argentino com Eduardo Bolsonaro para demonstrar o vínculo entre os dois.
“Ainda em análise, identificamos, conforme exposto, a ligação entre Eduardo Bolsonaro e o autor das lives, Fernando Cerimedo, o quais (sic) se conhecem há muitos anos”, diz um trecho do documento.
Às 16h09, Vargas reencaminhou uma mensagem a Tagliaferro com ordens do ministro Alexandre de Moraes sobre o relatório.
“VARGAS: pode bloquear os sites indicados AIRTON: na PET sobre isso vamos determinar o bloqueio também e o bloqueio das contas. Lembre-se sempre de dar ciência a PGR”, diz a mensagem.
“Gostou e está disparando ordens”, escreveu Vargas na sequência.
“Ele [Moraes] pode responsabilizar o EB pelas manifestações”, disse Tagliaferro.
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“Já mandou preparar investigação nesse sentido no STF kkkkk”, respondeu Vargas.
Parcialidade na justiça
Essas conversas, agora públicas, levantam uma série de questões sobre a imparcialidade e os limites de atuação do ministro Alexandre de Moraes. As revelações sugerem que, além de combater a desinformação, havia uma preocupação em direcionar ações contra figuras específicas do espectro político, particularmente ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
“As mensagens revelam um fluxo fora do rito envolvendo os dois tribunais, tendo o órgão de combate à desinformação do TSE sido utilizado para investigar e abastecer um inquérito de outro tribunal, o STF, em assuntos relacionados ou não com a eleição daquele ano“, diz o jornal.
O jornal afirma ter acesso a mais de 6 gigabytes de mensagens e arquivos de assessores de Moraes, incluindo Vieira, que é o primeiro auxiliar do gabinete do ministro no Supremo.
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