Ex-governador José Melo diz que sua cassação foi articulada por Eduardo Braga: “maior decepção da minha vida”
Ele também afirma que Braga não permitiu que a então presidente da República Dilma Rousseff ajudasse o estado do Amazonas, em sua gestão.
- Foto: Reprodução
O ex-governador do Amazonas, José Melo, trouxe à tona suas memórias sobre a cassação de seu mandato em 2017 e não poupou palavras ao falar sobre sua decepção com o senador Eduardo Braga (MDB). Em entrevista à Rede Onda Digital, Melo, disse que o cacique da política amazonense que ele um dia considerou um aliado próximo, acabou se tornando sua maior decepção.
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José Melo, que governou o Amazonas entre 2014 e 2017, destacou a admiração que nutria por Braga antes dos acontecimentos que levaram à sua cassação. “Eu tinha pelo Eduardo uma grande admiração, foi a maior decepção da minha vida, na área política. Eu tinha carinho, respeito, amor e admiração por ele. Ele não honrou nada comigo, me traiu e depois acertou que iria me apoiar para eu ser governador, sucedendo o Omar Aziz, e ao contrário do que disse, ele veio foi bater de frente politicamente comigo”, afirmou Melo, evidenciando o rompimento político que marcou a trajetória dos dois líderes.
⏯️ O ex-governador do Amazonas, José Melo, afirmou em entrevista ao programa Tribuna Livre que enfrentou uma “estrutura monstra de poder político” durante sua cassação em 2017, destacando o isolamento político e a dificuldade de enfrentar forças poderosas.
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— AM POST (@portalampost) August 15, 2024
A cassação de José Melo pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ocorreu em um cenário de grande controvérsia. A corte decidiu, por cinco votos a dois, pela cassação do ex-governador devido à acusação de compra de votos nas eleições de 2014, nas quais Melo foi reeleito com 55,5% dos votos no segundo turno. Esse episódio marcou o fim abrupto de seu mandato e desencadeou uma série de eventos que ainda ecoam na política amazonense.
Durante a entrevista, Melo não hesitou em atribuir a Eduardo Braga parte da responsabilidade por sua queda. Segundo ele, Braga teria articulado nos bastidores para enfraquecê-lo e, eventualmente, cassar seu mandato. “Eu fui cassado por compra de votos e a pessoa que ‘comprou voto’ depois foi inocentada pela própria justiça. Então, isso foi fruto de uma articulação muito forte feita pelo Eduardo. Em Brasília, ele é forte e poderoso, o MDB naquela época era um partido extremamente forte. Eu não tive condições, eu era só o José Melo, contra uma estrutura monstra de poder político e articulação”, desabafou o ex-governador.
José Melo também destacou a suposta interferência de Braga na relação do governo do Amazonas com a administração federal durante o governo de Dilma Rousseff. De acordo com o ex-governador, ele não conseguiu receber do governo federal o mesmo tratamento que outros governadores, devido à influência de Braga em Brasília. “Para você ter uma ideia de como era forte, eu era governador e eu não consegui receber do governo federal o mesmo tratamento que outros governadores receberam, porque o então senador Eduardo Braga, não deixou. Não permitiu que a então presidente da República Dilma Rousseff ajudasse o estado do Amazonas, onde ela e o Lula tiveram a maior votação”, revelou.
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