Pedidos de segurança de Moraes fez TSE acessar dados sigilosos da polícia de São Paulo, diz jornal
As solicitações estavam relacionadas à segurança do ministro e de seus familiares.
- Moraes determina soltura de Marcelo Câmara, ex-assessor de Bolsonaro — Foto: Reprodução
Uma nova denúncia envolvendo a equipe do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), veio à tona nesta quinta-feira, 15 de agosto. Segundo reportagem publicada pela Folha de S.Paulo, Wellington Macedo, policial militar lotado no gabinete de Moraes, teria solicitado a produção de relatórios pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de forma extraoficial durante o período em que Moraes presidia a Corte Eleitoral.
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Os pedidos teriam sido feitos por Macedo através de mensagens de WhatsApp para a Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação (AEED), órgão vinculado ao TSE. As solicitações estavam relacionadas à segurança do ministro e de seus familiares, abrangendo desde ameaças enviadas para números ligados a Moraes até o vazamento de dados pessoais e informações sobre prestadores de serviços que trabalhavam em sua residência.
De acordo com a reportagem, em ao menos um desses pedidos, o então chefe da AEED, Eduardo Tagliaferro, teria obtido informações sigilosas com a colaboração de um policial civil de São Paulo, de sua “extrema confiança”, cuja identidade não foi revelada. A colaboração tinha como objetivo identificar os responsáveis pelo vazamento de dados, como números de telefone, que resultaram em mensagens ameaçadoras recebidas por Moraes e seus familiares.
Além disso, o segurança pessoal do ministro também teria acionado Tagliaferro para identificar o autor de mensagens enviadas à filha de Moraes, que continham ameaças e exigiam um pagamento de R$ 5 mil via Pix. Outras solicitações incluíam a investigação sobre uma encomenda suspeita enviada à esposa do ministro e um vídeo com ameaças diretas a ele. A reportagem da Folha de S.Paulo aponta que quase todas as solicitações feitas por Macedo foram atendidas e respondidas conforme demandado pelo assessor do TSE.
Em resposta às alegações, o gabinete de Alexandre de Moraes emitiu uma nota afirmando que todos os procedimentos seguidos foram “oficiais, regulares e estão devidamente documentados”. A nota ainda destaca que, no curso dos inquéritos relacionados às milícias digitais e às fake news, foram feitas diversas solicitações a diferentes órgãos, incluindo o TSE.
Essa nova denúncia reacende o debate sobre os limites da atuação de autoridades públicas e seus assessores, especialmente em temas tão sensíveis quanto a segurança pessoal e a privacidade de membros do Poder Judiciário. A utilização de recursos institucionais para fins pessoais ou sem a devida formalidade pode configurar uma violação de princípios éticos e legais, alimentando críticas sobre o uso do aparato estatal para fins particulares.
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