Venezuela vive risco de nova onda de emigração em massa
Pesquisa aponta que quatro em cada 10 venezuelanos pretendem sair do país após suspeitas de fraude eleitoral.

Foto: Alexandre Meneghini/Reuters
Caracas – Uma pesquisa divulgada pelo instituto venezuelano Meganalisis revelou que 43,2% dos venezuelanos consideram deixar o país após o controverso anúncio de vitória do presidente Nicolás Maduro nas eleições presidenciais. O resultado da pesquisa, realizada entre 8 e 11 de agosto, acendeu sinais de alerta nas cidades e vilas ao longo da fronteira entre Colômbia e Venezuela, que já enfrentaram crises migratórias no passado.
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A pesquisa, que teve uma amostra de mais de mil pessoas e uma margem de erro de 95% de confiabilidade, foi conduzida por telefone em Caracas e nos 23 estados da Venezuela. A inquietação surge após o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) anunciar a vitória de Maduro em 28 de julho, sem apresentar resultados detalhados por centro e por posto de votação.
Os dados alarmantes geraram preocupações nas autoridades colombianas, especialmente nas cidades fronteiriças como Cúcuta, que já vivenciaram a pressão de uma migração em massa em anos anteriores. Jorge Acevedo, prefeito de Cúcuta, expressou sua preocupação com a possibilidade de uma nova onda migratória e afirmou que a cidade está se preparando para lidar com uma possível demanda. “Estamos preparados para enfrentar a situação, mas esperamos que não ultrapasse a capacidade da cidade,” declarou Acevedo em entrevista coletiva.
Desde fevereiro, a Colômbia abriga pouco mais de 2,8 milhões de venezuelanos, de acordo com autoridades de imigração colombianas. Com a situação política na Venezuela se deteriorando, alguns venezuelanos, como Durbi Borges, já tomaram a decisão de deixar o país devido ao temor de perseguição e prisão. Borges relatou à CNN que foi forçado a fugir devido à perseguição pelo Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin).
O Ministério das Relações Exteriores da Colômbia, no entanto, minimizou as preocupações, afirmando que a situação é normal no momento e descartou a necessidade de uma declaração de emergência fronteiriça. O ministro Luis Gilberto Murillo afirmou que não há fundamentos para temer um aumento significativo do fluxo migratório no curto prazo.
Para o governo do presidente Gustavo Petro, a questão da migração é delicada devido ao potencial impacto econômico e humanitário. Petro reiterou seu apoio à abertura das fronteiras e à necessidade de uma solução política interna na Venezuela. “O melhor caminho para a paz na Venezuela depende dos venezuelanos. As fronteiras permanecerão abertas para promover a prosperidade comum,” afirmou Petro em uma postagem no X, antigo Twitter.
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A Colômbia, além de ser um destino para muitos venezuelanos, também serve como uma rota de passagem para outros países da América Latina e dos Estados Unidos, frequentemente atravessando a perigosa rota de Darién. Em 2023, aproximadamente 520 mil pessoas, incluindo muitos venezuelanos, enfrentaram a selva densa e perigosa de Darién, conforme dados da Provedoria de Justiça colombiana.
Especialistas alertam que a Colômbia deve se preparar adequadamente para uma possível nova onda migratória, considerando os recursos limitados e a falta de apoio internacional significativo para a crise humanitária. “Se a situação na Venezuela não melhorar, a Colômbia será sem dúvida o país mais afetado pela nova onda de migração,” disse Oscar Montes, analista e colunista do jornal *El Heraldo*.
Redação AM POST
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