Pôr do Sol avermelhado em São Paulo é reflexo de queimadas da Amazônia
O fenômeno registrado em São Paulo é diretamente ligado aos incêndios na Amazônia.
- Foto: Reprodução
São Paulo foi palco de um espetáculo incomum na tarde desta sexta-feira (23), com o pôr do sol tingido de vermelho. Embora a beleza do fenômeno tenha impressionado os moradores, a causa por trás desse cenário é alarmante: os incêndios na Amazônia, que têm contribuído significativamente para a piora da qualidade do ar na cidade. O céu avermelhado, provocado pela combinação de fuligem e poeira, é um sinal visível de uma crise ambiental que se intensifica a cada ano.
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O fenômeno registrado em São Paulo é diretamente ligado aos incêndios na Amazônia, especialmente na região sul da floresta, conhecida como o “arco de desflorestamento”. Este local é um dos mais afetados pelas queimadas que, combinadas com a seca severa, têm gerado um corredor de fumaça que se estende por vários estados do Brasil, alcançando até países vizinhos como Peru e Bolívia.
Marcelo Seluchi, coordenador-geral de operações do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), explicou que ventos provenientes do noroeste têm trazido essa fumaça para São Paulo. “Estamos em uma esteira de fumaça vinda da Amazônia, dando volta por Peru, Bolívia e se aproximando daqui”, afirmou o meteorologista. Esses ventos, comuns antes da chegada de frentes frias, também são responsáveis pelo aumento das temperaturas na região sudeste.
Gravidade das queimadas em 2024
As queimadas na Amazônia em 2024 têm sido particularmente severas. Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), de janeiro até a última quarta-feira (21), foram registrados mais de 44,8 mil focos de calor na região, um aumento alarmante de 82% em relação ao mesmo período de 2023. Este número coloca 2024 entre os piores anos da última década em termos de incêndios florestais, sendo superado apenas por 2010, quando quase 466 mil focos foram registrados até o final do ano.
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O impacto dessas queimadas vai muito além dos limites da floresta amazônica. O corredor de fumaça que se forma durante os períodos de seca e incêndios intensos afeta a qualidade do ar em várias regiões do Brasil, incluindo o Sudeste. Em São Paulo, o céu vermelho observado nesta sexta-feira é um reflexo direto desse acúmulo de partículas de fuligem e poeira na atmosfera.
Consequências para a Saúde e o Meio Ambiente
A presença de partículas de fumaça e poluentes no ar tem implicações diretas para a saúde pública. A qualidade do ar em São Paulo, que já enfrenta desafios devido à poluição urbana, piora significativamente com a chegada da fumaça da Amazônia. Os principais grupos de risco são pessoas com doenças respiratórias crônicas, idosos e crianças, que podem sofrer com o agravamento dos sintomas respiratórios e cardíacos.
Além disso, as queimadas na Amazônia têm um impacto devastador no meio ambiente. A destruição de áreas florestais reduz a capacidade de absorção de dióxido de carbono (CO2), agravando as mudanças climáticas globais. A perda de biodiversidade também é uma consequência direta, com espécies vegetais e animais ameaçadas de extinção devido à destruição de seus habitats naturais.
*Com informações da FolhaPress
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