Venezuela sofre apagão e governo fala em “sabotagem”
Ministro da Comunicação, Freddy Ñáñez, foi rápido em atribuir a responsabilidade pelo apagão à sabotagem, embora não tenha fornecido detalhes.
- (Foto: Marcelo Casal Jr/Agência Brasil)
A Venezuela foi surpreendida na manhã desta sexta-feira (30) por um apagão elétrico de grandes proporções, afetando Caracas e diversas outras regiões do país. De acordo com o Ministério da Comunicação e Informação venezuelano, o corte de energia impactou total ou parcialmente todos os estados, gerando um clima de incerteza e apreensão entre a população.
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Esta interrupção no fornecimento de energia não é um fato isolado. Na última terça-feira (27), o país já havia experimentado uma série de apagões menores, sinalizando uma crescente instabilidade no sistema elétrico nacional.
O ministro da Comunicação, Freddy Ñáñez, foi rápido em atribuir a responsabilidade pelo apagão à sabotagem, embora não tenha fornecido detalhes adicionais sobre a natureza dessa suposta interferência. Ñáñez também garantiu que a equipe do ministério está empenhada em restaurar o serviço o mais rápido possível, mas o governo ainda não apresentou um prazo claro para a normalização do fornecimento de energia.
O apagão ocorre em um contexto político extremamente tenso na Venezuela. Coincidentemente, nesta sexta-feira, o principal opositor ao presidente Nicolás Maduro, Edmundo González Urrutia, pode ser alvo de um mandado de prisão. González, que segundo dados divulgados pela oposição venceu a eleição presidencial realizada no final de julho, foi convocado pela Suprema Corte do país a prestar depoimento. Caso ele não compareça, como já fez em outras duas ocasiões no último mês, o Ministério Público da Venezuela pode emitir um mandado de prisão contra ele.
A convocação de Edmundo González, no entanto, gera dúvidas. A Suprema Corte não especificou em que qualidade ele foi chamado a depor, se como acusado, testemunha ou especialista, uma exigência prevista pela lei venezuelana. Desde o último dia 30 de julho, quando apareceu pela última vez em público, González está na clandestinidade, utilizando apenas as redes sociais para se comunicar com seus apoiadores e o público em geral.
Enquanto isso, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), órgão responsável por conduzir as eleições no país, declarou Nicolás Maduro como o vencedor da eleição presidencial. No entanto, a transparência desse processo está sendo questionada. Até o momento, as atas da eleição, documentos que conteriam os números de votos por estado e locais de votação, não foram divulgadas publicamente, o que levanta suspeitas sobre a legitimidade do resultado.
A comunidade internacional também reagiu com ceticismo à vitória de Maduro. Estados Unidos, União Europeia e vários outros países já se pronunciaram, afirmando que não reconhecem a vitória do presidente venezuelano. No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que só reconhecerá o resultado das eleições venezuelanas se os documentos oficiais forem apresentados publicamente, evidenciando uma postura cautelosa em relação ao processo eleitoral da Venezuela.
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