Incêndios florestais no Pantanal matam e ferem milhares de animais
Queimadas em áreas do Pantanal seguem avançando.
- Foto: Saul Schramm/Governo do MS
Os incêndios florestais que assolam o Pantanal brasileiro estão causando uma destruição sem precedentes, arrasando a flora e dizimando a fauna local. De onças-pintadas a pequenos mamíferos como os veados-catingueiros, milhares de animais estão sendo afetados pela tragédia ambiental que já devastou cerca de 2 milhões de hectares, somente no estado do Mato Grosso do Sul. O impacto sobre o ecossistema pantaneiro, que é um dos mais ricos do mundo, é imensurável, e os esforços de contenção do fogo têm sido intensos, embora ainda insuficientes diante da magnitude das chamas.
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A situação se agrava com a dificuldade de resgate e tratamento dos animais vitimados pelo fogo. Bombeiros, técnicos, socorristas e voluntários têm se dividido entre combater as chamas e salvar os animais feridos, que lutam para sobreviver em meio a um cenário de devastação. Entre os sinais mais visíveis do sofrimento da fauna estão as patas queimadas, uma triste consequência do contato com o solo quente. A realidade que esses animais enfrentam é dramática, e os esforços para mitigá-la vêm de múltiplos atores, tanto públicos quanto privados, que trabalham incansavelmente no terreno.
Papel Crucial do Hospital Veterinário Ayty
Em Campo Grande (MS), o Hospital Veterinário Ayty, ligado ao Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (Cras), tem desempenhado um papel fundamental no tratamento de animais resgatados das áreas incendiadas. O hospital tornou-se um centro de referência no atendimento de espécies selvagens vitimadas pelos incêndios, oferecendo desde cuidados paliativos até tratamentos inovadores para garantir a recuperação dos animais.
Entre os casos mais emblemáticos estão as onças-pintadas Miranda e Antã, ambas encontradas com ferimentos graves em meio ao fogo. Miranda, uma jovem fêmea com cerca de dois anos, foi resgatada em 15 de agosto após ser avistada por trabalhadores rurais, que perceberam que ela mancava e se escondia dentro de uma manilha. As quatro patas de Miranda estavam severamente queimadas, e ela foi levada para o hospital veterinário para receber tratamento especializado.
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A equipe do Cras, coordenada pela médica veterinária Jordana Toqueto, optou por um tratamento à base de ozônio e pomadas especiais, que têm acelerado sua recuperação. Segundo Toqueto, a onça está quase completamente curada e em breve poderá receber alta. No entanto, a decisão de soltá-la na natureza depende do controle dos incêndios, uma vez que há o risco de ela voltar a se ferir caso o fogo continue a se alastrar.
Antã: Uma Luta Perdida Contra as Chamas
Diferente de Miranda, o macho Antã não teve a mesma sorte. Encontrado com queimaduras ainda mais graves, o estado de saúde de Antã era crítico desde o início. Além das feridas profundas, que atingiam inclusive camadas abaixo da pele, o animal também havia inalado grandes quantidades de fumaça, o que comprometeu seriamente seu pulmão. Exames de ultrassonografia revelaram ainda alterações no fígado e na bexiga, agravando ainda mais o quadro clínico.
Na manhã de quinta-feira, 12 de setembro, Antã sofreu uma parada cardíaca enquanto se preparava para mais uma sessão de ozonioterapia. A equipe médica tentou reanimá-lo, mas, infelizmente, o animal não resistiu. Sua morte representa uma perda significativa para a biodiversidade do Pantanal, sendo um reflexo trágico da destruição provocada pelos incêndios.
Especialistas alertam que a destruição do habitat natural pode gerar consequências devastadoras a longo prazo, incluindo a migração em massa de espécies, a quebra de cadeias alimentares e a extinção local de animais. Além disso, os incêndios exacerbam a degradação de áreas já vulneráveis, pressionadas por atividades humanas como a pecuária extensiva e o desmatamento.
- Foto: Divulgação
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