Especialista alerta para risco da fumaça das queimadas à saúde: “muito preocupante”
Tipo de câncer mais ligado à exposição à fumaça é o de pulmão.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O Brasil enfrenta uma grave crise ambiental que pode impactar a saúde pública nas próximas décadas, conforme alertou a epidemiologista Ubirani Otero, chefe da Área Técnica Ambiente, Trabalho e Câncer do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Em uma entrevista à Agência Brasil nesta terça-feira (17), Otero destacou a urgência de reduzir a exposição da população à fumaça das queimadas para prevenir um aumento alarmante de casos de câncer relacionados ao sistema respiratório.
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O cenário atual é descrito como “muito preocupante” pela especialista, que enfatizou a necessidade urgente de ações preventivas. Segundo Otero, a fumaça gerada pelos incêndios florestais é altamente tóxica e composta por uma série de substâncias químicas cancerígenas. “Se a gente não prevenir essas questões hoje, a gente corre risco de ter um aumento dos tipos de câncer relacionados ao sistema respiratório em um futuro próximo”, alertou.
A fumaça das queimadas contém uma mistura complexa de compostos nocivos, incluindo monóxido de carbono, solventes, metais pesados, hidrocarbonetos aromáticos e fuligem. Esses materiais particulados permanecem suspensos no ar e têm o potencial de causar sérios danos à saúde humana. “As queimadas geram muito material particulado. Estamos falando de liberação de uma gama de substâncias que afetam a qualidade do ar e, consequentemente, a saúde das pessoas”, explicou Otero.
Os dados mais recentes sobre queimadas no Brasil revelam um panorama alarmante. De janeiro a agosto de 2024, foram atingidos 11,39 milhões de hectares de território brasileiro, de acordo com o Monitor do Fogo Mapbiomas. Destes, 5,65 milhões de hectares – uma área equivalente ao estado da Paraíba – foram consumidos pelas chamas somente em agosto, representando quase 50% do total anual.
Em resposta à crise, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou uma reunião dos chefes dos Três Poderes da República para discutir a situação. O encontro, agendado para a tarde desta terça-feira, visa coordenar esforços para enfrentar a seca e combater os incêndios, com especial atenção ao Pantanal e à Amazônia. Em junho, o governo já havia criado uma sala de situação preventiva para monitorar e agir sobre os incêndios e suas consequências.
A importância de medidas preventivas não pode ser subestimada. A epidemiologista Otero enfatiza que a eliminação da exposição à fumaça é a forma mais eficaz de prevenção contra o câncer. “A melhor prevenção contra o câncer é a eliminação da exposição. Se cessar o quanto antes, a gente pode prevenir muitos casos no futuro”, afirmou.
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