
Foto: Reprodução/ Jornal RR-TV
Na última quarta-feira, 25 de setembro, a cidade de Boa Vista, em Roraima, vivenciou um momento emblemático que ecoa a busca incessante por justiça. Gislayne Silva de Deus, 36 anos, escrivã da Polícia Civil, emocionou-se ao saber que o homem responsável pela morte de seu pai, Givaldo José Vicente de Deus, estava finalmente preso. “Quando eu vi que o responsável pela morte do meu pai estava preso, eu tive uma crise de choro. Foi uma explosão de sentimentos que viraram lágrimas de alívio, pois parecia que esse dia nunca chegaria”, disse Gislayne ao g1.
Givaldo, que tinha apenas 35 anos, foi assassinado em 1999, quando Gislayne tinha apenas 9 anos. O crime ocorreu em um contexto trágico: Raimundo Alves Gomes, o autor do disparo, cobrava uma dívida de R$ 150 e, em um ato de violência brutal, disparou um tiro à queima-roupa contra Givaldo. Desde então, a família viveu uma angústia prolongada, aguardando a captura do autor do crime.
Raimundo Alves Gomes, agora com 60 anos, estava foragido desde 2016, quando um mandado de prisão foi expedido. Ele havia sido julgado e condenado a 12 anos de prisão em 2013, mas a espera pela execução da pena se arrastou por mais de uma década. O caso, que transcorreu em meio a incertezas, finalmente teve um desfecho nesta quarta-feira, quando a Polícia Civil de Roraima, em uma operação eficaz, conseguiu localizá-lo e prender o acusado.
A notícia da prisão foi um divisor de águas para Gislayne e sua família. Ela descreve o momento em que encontrou Raimundo na delegacia: “Quando o vi, fiz questão de dizer a ele quem eu era e que eu tinha sido responsável pelo cumprimento do mandado de prisão.” A coragem e a determinação de Gislayne em confrontar o homem que destruiu sua infância refletem não apenas uma busca por justiça, mas também a necessidade de fechamento emocional.
Após a prisão, Raimundo Gomes passou por uma audiência de custódia na quinta-feira, 26 de setembro, que resultou na manutenção da prisão e encaminhamento ao sistema prisional. A defesa do acusado, por sua vez, optou por não se manifestar imediatamente.
Gislayne compartilhou a notícia da prisão com suas irmãs, e o sentimento coletivo foi de alívio e paz. “Esse momento trouxe uma paz enorme para mim e para minha família. Esperamos por muito tempo, e, mesmo desacreditados, conseguimos alcançar esse momento. O choro foi de alívio, pois, após tanto tempo, parecia que um peso enorme havia saído das minhas costas”, relatou a escrivã.
Ela revelou que a expectativa pela prisão de Raimundo se tornou uma carga emocional que afetou sua vida durante todos esses anos. “Eu não sabia o quanto isso era importante para mim até aquele momento. Eu não tinha noção do quanto isso estava pesando há anos até que eu tirei o peso das costas”, refletiu Gislayne.