Sem provas, Omar Aziz levanta nova versão sobre assassinato de Bruno e Dom no Amazonas
Aziz sugeriu que a motivação para o crime não estaria relacionada ao narcotráfico, como amplamente acreditado, mas sim a um suposto ato de vingança pessoal.
- Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
Nesta quarta-feira, 30, o senador Omar Aziz (PSD/AM) surpreendeu a todos ao apresentar, sem provas, uma nova teoria sobre o assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips. Durante uma reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no Senado Federal, onde se discutia o Projeto de Lei 10.326/2022, que visa permitir o porte de arma de fogo aos membros da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Aziz fez declarações polêmicas sem fornecer evidências concretas.
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Aziz sugeriu que a motivação para o crime não estaria relacionada ao narcotráfico, como amplamente acreditado, mas sim a um suposto ato de vingança pessoal. “Lá no Amazonas, essa questão de Atalaia do Norte, existe uma versão dada nacionalmente, que infelizmente duas pessoas foram a óbito (Dom e Bruno), numa ação que falaram que era narcotráfico, não sei o que e não era nada disso. Era um caboclo que foi humilhado por um funcionário na frente dos filhos,” afirmou o senador, referindo-se a um homem que, segundo ele, teria sido alvo de desrespeito público.
O parlamentar continuou sua narrativa, mencionando que o indivíduo em questão teria “esperado o momento para se vingar” após ter sua rede de pesca incendiada, culminando no trágico assassinato de Bruno e Dom. “Ele [Bruno] estava em uma canoa, mesmo que estivesse armado, não teria como reagir,” disse Aziz, destacando que, segundo sua versão, a situação foi muito mais complexa do que uma simples operação de narcotráfico.
As investigações da Polícia Federal apontaram que Bruno Pereira foi assassinado devido ao seu trabalho na fiscalização contra a pesca ilegal na região do Vale do Javari, uma área crítica para a preservação ambiental e dos direitos indígenas. A posição do senador, que parece desviar o foco das atividades ilegais na região, levanta questões sobre a responsabilidade de figuras públicas ao discutir assuntos tão delicados.
A declaração suscita preocupações sobre a legitimidade das informações que circulam em torno do caso. A falta de evidências concretas para respaldar as alegações de Aziz destaca um problema maior: a disseminação de teorias que podem confundir a opinião pública e minimizar a gravidade dos crimes cometidos contra indígenas e defensores do meio ambiente.
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