Presidente da CPI afirma que Bets são cassinos instalados dentro das casas
Senado tem primeira sessão de CPI para rever leis das apostas online.

Foto: © Bruno Peres/Agência Brasil
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigará as chamadas bets — os jogos de apostas online — iniciou oficialmente seus trabalhos nesta terça-feira (12/11), com a definição de seus principais cargos e a apresentação de requerimentos pelos senadores. A CPI, que já atrai grande atenção devido ao crescente impacto desses jogos na sociedade brasileira, tem como presidente o senador Dr. Hiran (PP-RR), enquanto a relatoria ficou com a autora da proposta, senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), e a vice-presidência foi assumida pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE).
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Logo no início da sessão, Dr. Hiran destacou os principais desafios enfrentados pelas autoridades no combate aos jogos de apostas virtuais, como a dificuldade de rastrear os fluxos financeiros e a origem dos recursos utilizados nessas plataformas. Ele chamou atenção para o que considera uma grande contradição das políticas atuais. “Não aprovamos cassinos físicos, que são mais rastreáveis, e cometemos o erro de colocar cassinos dentro das casas das pessoas”, afirmou o presidente da CPI. Segundo ele, o Brasil enfrenta uma verdadeira epidemia de ludopatia, ou vício em jogos de azar, causado pela proliferação dos jogos online. O senador ressaltou a urgência de mitigar os efeitos dessas apostas na saúde mental e financeira de muitos brasileiros.
Em sua fala, Dr. Hiran também criticou a falta de controle do sistema financeiro brasileiro sobre as transações realizadas nas plataformas de apostas. “Nem o Banco Central consegue controlar essas transações”, disse. Ele alertou ainda que as empresas envolvidas no setor operam a partir de paraísos fiscais e utilizam criptomoedas como forma de dificultar ainda mais a rastreabilidade e o controle dessas atividades.
A criação da CPI das Bets tem gerado grande repercussão e atraído a atenção de diferentes esferas do poder público. A Procuradoria-Geral da República (PGR) e o Poder Executivo também estão preocupados com o impacto dessas apostas no país. A PGR, por exemplo, entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) questionando a constitucionalidade das leis que permitiram a proliferação dessas plataformas, apontando que elas favorecem a exploração indiscriminada dos jogos virtuais baseados em eventos esportivos.
Durante a primeira reunião da CPI, a relatora Soraya Thronicke destacou o apoio do Poder Executivo aos trabalhos da comissão, o que ela classificou como uma situação rara e positiva para o andamento da investigação. A senadora revelou que foi contatada por membros de várias secretarias e ministérios, demonstrando a preocupação do governo federal com os efeitos dessas legislações, tanto na saúde pública quanto no controle do setor.
“Aquilo que é raro de se ver é o Poder Executivo concordando com uma CPI. E o Poder Executivo concorda com esta CPI, tamanha a importância dela”, afirmou a senadora. Thronicke afirmou ainda que o governo está comprometido em apoiar as investigações, reconhecendo a necessidade de uma atuação mais rigorosa sobre o setor das apostas.
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Além do apoio do Executivo, a relatora também destacou a colaboração da Polícia Federal, que já se comprometeu a disponibilizar equipes especializadas para auxiliar nas investigações. O foco da CPI será, entre outros pontos, apurar a possível associação das apostas online com organizações criminosas e práticas ilícitas como a lavagem de dinheiro. Thronicke garantiu que, apesar das investigações em andamento, a CPI manterá sua transparência e função pedagógica, especialmente no que diz respeito aos danos causados pela proliferação das apostas.
A senadora também criticou o uso de influenciadores digitais na promoção dessas plataformas de apostas, um dos pontos que têm sido mais debatidos na sociedade. Thronicke acredita que a CPI ajudará a conscientizar a população sobre os riscos associados ao vício em jogos e à exposição ao crime organizado.
*Com informações da Agência Brasil
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