Haddad não descarta novas mudanças fiscais e rebate previsões do mercado financeiro
A reunião que detalhou as medidas ocorreu no Palácio do Planalto.
- Foto: divulgação
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sinalizou nesta quinta-feira (28) que novas alterações na regra fiscal podem ocorrer no futuro. O anúncio foi feito durante a apresentação de um pacote de cortes de gastos que busca equilibrar as contas públicas. Segundo ele, o trabalho do governo não se encerra com as medidas anunciadas. “São passos muito importantes esses que estão sendo dados. E, se precisarem outros, e certamente vai haver necessidade, nós vamos estar aqui para voltar à mesa do presidente com as nossas ideias”, afirmou, referindo-se ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
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O pacote anunciado pelo governo prevê uma economia significativa nas despesas públicas: até R$ 327 bilhões entre 2025 e 2030, com uma projeção de R$ 70 bilhões a serem poupados até 2026. A reunião que detalhou as medidas ocorreu no Palácio do Planalto e contou com a participação de outros ministros, como Rui Costa, da Casa Civil.
Críticas ao mercado financeiro
Além de detalhar as medidas fiscais, Haddad e Rui Costa dirigiram críticas ao mercado financeiro durante a coletiva. O ministro da Fazenda contestou previsões que, segundo ele, subestimaram o desempenho econômico do Brasil. “Sei que ouvem o mercado, é dever de vocês, mas têm que colocar em xeque as previsões que não aconteceram”, declarou. Haddad citou projeções de crescimento econômico de apenas 1,5% para o ano, enquanto a Fazenda estima um aumento superior a 3%. “Ele [o mercado] não errou pouco, chutou 1,5%, vai a 3%”, reforçou.
Rui Costa complementou as críticas, acusando agentes do mercado de precificar desequilíbrios futuros de forma injustificada. “Estão precificando no presente um desequilíbrio futuro das contas públicas. E aqui se está garantindo que esse desequilíbrio de longo prazo não ocorrerá”, afirmou.
“Sem bala de prata”
Haddad também enfatizou que o governo não considera as medidas anunciadas como uma solução definitiva para os desafios fiscais do país. “Nosso trabalho não se encerra, não existe bala de prata”, disse. Apesar disso, o ministro declarou estar satisfeito com o desempenho fiscal em 2023.
As declarações vêm em um momento em que o governo busca reforçar a credibilidade de sua política econômica e responder a críticas sobre o controle de gastos públicos. As projeções econômicas otimistas contrastam com a desconfiança do mercado, que mantém uma postura cautelosa diante das mudanças propostas pelo Executivo.
A fala de Haddad deixa claro que o governo está disposto a ajustar sua estratégia conforme necessário, em busca de maior sustentabilidade fiscal e crescimento econômico sólido.
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