Crise migratória: mais de 600 brasileiros são deportados do Reino Unido
Organizações que defendem os direitos dos imigrantes afirmam que muitos brasileiros podem estar sendo coagidos.
Uma crise humanitária silenciosa se desenrola no Reino Unido, onde mais de 600 brasileiros, incluindo 109 crianças, foram deportados em voos secretos entre agosto e setembro deste ano. A revelação, feita pelo jornal britânico The Guardian, expõe uma política migratória cada vez mais restritiva no país e levanta sérias questões sobre os direitos humanos dos imigrantes.
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O governo britânico classifica essas deportações como “voluntárias”, oferecendo incentivos financeiros para aqueles que aceitam retornar ao Brasil. No entanto, organizações que defendem os direitos dos imigrantes afirmam que muitos brasileiros podem estar sendo coagidos a retornar ao seu país de origem devido à falta de informações e de apoio jurídico.
O impacto do Brexit
A saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit) teve um impacto significativo na vida dos imigrantes brasileiros no país. As novas regras de imigração tornaram mais difícil para os brasileiros regularizarem sua situação e permanecer no Reino Unido. Muitas famílias foram separadas e crianças que nasceram ou foram criadas no Reino Unido estão sendo deportadas para um país que desconhecem.
O governo britânico justifica as deportações como uma medida necessária para controlar a imigração ilegal e reduzir os custos com a acomodação de imigrantes. Já o Itamaraty afirma que o retorno dos brasileiros foi voluntário e que o governo brasileiro está acompanhando a situação.
O que diz o Itamaraty
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Em nota, o Itamaraty informou que o Reino Unido propôs organizar voos de retorno voluntário ao Brasil, por companhias aéreas comerciais, para brasileiros inscritos no Programa de Retorno Voluntário (VRS, em sua sigla em inglês), mantido pelo Ministério do Interior britânico. Além de auxílio financeiro, o VRS oferece passagens aéreas para os migrantes que desejam retornar aos seus países de origem.
“O processo de retorno voluntário proposto pelo Reino Unido coaduna-se com os princípios da assistência consular brasileira que, em casos específicos, também financia a viagem de brasileiros em situações de desvalimento no exterior, além de contar com parceira de natureza semelhante com a Organização Internacional para Migrações (OIM)”, diz o comunicado.
“O consentimento brasileiro ao programa baseia-se no requisito de que a participação dos nacionais é voluntária e poderá ser revista, a qualquer tempo, caso esses termos sejam alterados.”
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