Diagnosticado com autismo leve aos 20 anos, Davi teve suas características identificadas por Jane Silva, sua cunhada. “Eu convivo com uma pessoa autista há alguns anos e pude perceber no Davi os mesmos traços. Foi depois de conversar com familiares que buscamos profissionais, e ele teve o diagnóstico”, contou Jane.
O nível 1 do Transtorno do Espectro Autista (TEA) caracteriza-se por dificuldades moderadas de interação social e comunicação, que demandam suporte, embora não estejam associadas a déficits intelectuais severos. Essa condição está inclusa na lista de deficiências que permitem concorrer às vagas reservadas pelas políticas de cotas.
A situação de Davi levanta questionamentos sobre os critérios adotados pela banca de verificação da Ufal. O laudo médico apresentado, que atesta o diagnóstico, deveria, em teoria, ser suficiente para garantir o direito à vaga. No entanto, a banca não reconheceu sua condição como adequada para a classificação nas cotas destinadas a pessoas com deficiência.
A família de Davi expressou indignação e busca explicações sobre a desclassificação. “Ele se esforçou tanto para chegar até aqui, e agora parece que estão negando o direito dele. É frustrante”, desabafou Jane.
O caso reacende o debate sobre a inclusão de pessoas com autismo no ensino superior, especialmente em situações onde a subjetividade da avaliação pode interferir no reconhecimento dos direitos. A família estuda recorrer da decisão judicialmente para garantir que Davi tenha a oportunidade de cursar medicina, um sonho conquistado com esforço e dedicação.
A Ufal ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso. Enquanto isso, a situação gera repercussão, reforçando a importância de políticas claras e inclusivas para pessoas com TEA no acesso à educação superior.