PF prende vereador e subcomandante da PM em esquema de corrupção eleitoral
Vereador trocava votos por favores, remédios e até gasolina.
- Foto: divulgação
A Polícia Federal prendeu nesta quarta-feira (18/12) o vereador e presidente da Câmara de Boa Vista, Genilson Costa (Republicanos), e o subcomandante-geral da Polícia Militar de Roraima, coronel Francisco das Chagas Lisboa. A operação investiga o uso de dinheiro do tráfico de drogas para financiar compra de votos nas eleições municipais de 2024.
A operação, denominada Martellus, desarticulou uma associação criminosa que teria utilizado pelo menos R$ 1 milhão em recursos ilícitos para a compra de votos, prática denunciada desde o período eleitoral. O vereador Genilson, que foi reeleito com 3.744 votos, está em seu terceiro mandato consecutivo e foi diplomado presidente da Câmara de Boa Vista na terça-feira (17/12), um dia antes de sua prisão.
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Dinheiro do tráfico e corrupção eleitoral
As investigações apontam que Genilson financiou sua campanha eleitoral com dinheiro proveniente do tráfico de drogas. Além disso, ele liderava um esquema para cooptar eleitores, oferecendo valores entre R$ 100 e R$ 150 em troca de votos. A PF descobriu que o vereador utilizava grupos de mensagens para organizar o esquema, onde aliados faziam prestação de contas das transações ilícitas.
Em grupos de mensagens o vereador oferecia favores, remédios e gasolina em troca de votos.
Em contrapartida, o coronel Francisco Lisboa, subcomandante-geral da PM há menos de um mês, teria usado sua posição para informar Genilson sobre denúncias relacionadas à compra de votos. O subcomandante também está preso e sob investigação.
Prisões e busca por envolvidos
Além de Genilson e Lisboa, a irmã do vereador também foi detida. A esposa de Genilson, a policial civil Natalie Guimarães, está em São Paulo e é considerada foragida.
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As investigações começaram em outubro, após a prisão em flagrante de dez pessoas envolvidas em corrupção eleitoral. Na época, buscas na residência de Genilson resultaram na apreensão de ouro bruto e na identificação de lavagem de dinheiro.
Outros crimes e implicações
O inquérito revela que Genilson já havia sido investigado por tráfico de drogas e teria negociado entorpecentes diretamente de seu gabinete na Câmara. Ele também é acusado de usar o dinheiro do tráfico para disputar a presidência da Câmara Municipal.
Os envolvidos poderão responder por crimes de associação criminosa, corrupção eleitoral, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, transporte ilegal de eleitores, violação do sigilo do voto e prevaricação.
Impactos na PM
O coronel Lisboa, que substituiu a primeira mulher no cargo de subcomandante-geral, Valdeane Alves, desempenhava funções administrativas estratégicas na corporação e substituía o comandante-geral em sua ausência. A prisão do subcomandante expõe ainda mais a crise dentro da PM de Roraima, já abalada por investigações sobre um esquema de venda ilegal de armas envolvendo o comandante-geral Miramilton Goiano de Souza.
A Polícia Federal e o Ministério Público de Roraima seguem com as investigações, que ainda podem revelar novos envolvidos no esquema criminoso. A defesa de Genilson classificou a prisão como “arbitrária”, enquanto a PM informou que acompanha o caso.
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