MP Eleitoral pede cassação de presidente de Câmara Municipal após prisão pela Polícia Federal
A operação Martellus revelou que Genilson Costa e 13 pessoas, abusou do poder econômico e captou recursos ilícitos.
- Foto: divulgação
O cenário político em Boa Vista, Roraima, foi abalado nesta semana com a prisão do presidente da Câmara Municipal, Genilson Costa (Republicanos), pela Polícia Federal (PF). Ele é acusado de envolvimento em um esquema que teria utilizado recursos oriundos do tráfico de drogas para compra de votos nas eleições municipais de 2024. O Ministério Público Eleitoral (MPE-RR) também pediu a cassação de seu mandato e de outros vereadores envolvidos em supostos crimes eleitorais.
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Esquema milionário e prisão do presidente da Câmara
A operação Martellus da PF revelou que Genilson Costa, junto com 13 pessoas, abusou do poder econômico e captou recursos ilícitos para a campanha. De acordo com a investigação, mais de R$ 4 milhões foram usados para compra de votos, quantidade muito superior ao patrimônio declarado de Genilson, de R$ 120 mil, e ao total arrecadado oficial para a campanha, R$ 514 mil.
Além de Genilson, o subcomandante-geral da Polícia Militar, coronel Francisco das Chagas Lisboa, e a irmã do vereador também foram presos. A esposa de Genilson, a policial civil Natalie Guimarães, está foragida.
A PF descobriu que o esquema operava por meio de grupos de WhatsApp, como o “Os Top 100”, onde as reuniões arrecadavam entre R$ 100 e R$ 150 para votar em Genilson. As mensagens no grupo incluíam planilhas de pagamentos e anotações, com valores gastos em favores e benefícios diretos aos convidados, como R$ 500 em combustível e R$ 4 mil para um pastor evangélico.
Outros vereadores na mira do MPE
Além de Genilson, o MPE ajuizou pedidos contra outros parlamentares por irregularidades no processo eleitoral.
- Carol Dantas (PSD): Eleita com 2.647 votos, a vereadora foi acusada de abuso de poder econômico por usar um influenciador digital de grande alcance para propaganda eleitoral no Instagram. O MPE pediu a cassação de seu diploma e sua inelegibilidade. Em nota, Carol negou irregularidades e afirmou que sua campanha seguiu princípios de legalidade e transparência.
- Juliana Garcia (PP): Suplente de vereadora, Juliana foi presa pela PF em outubro com R$ 7,4 mil e uma lista de candidatos. O MPE apontou a apreensão de R$ 77,3 mil em situações relacionadas a crimes de corrupção eleitoral durante sua campanha. Em nota, Juliana reforçou sua confiança na Justiça e declarou que sempre agiu com ética.
- Sandro Baré (Republicanos): Preso com R$ 70 mil e uma arma de fogo, o vereador teve seu mandato questionado pelo MPE, que alegou que ele utilizou recursos financeiros indevidos, ultrapassando R$ 871 mil em gastos não declarados à Justiça Eleitoral.
Enquanto a PF segue com as investigações, o MPE mantém a pressão para cassar os mandatos dos envolvidos. A Justiça Eleitoral avaliará os pedidos de inelegibilidade e as ações de cassação. No caso de Genilson Costa, a gravidade das provas dificulta qualquer defesa que possa garantir a permanência do seu mandato.
Ao desenrolar das investigações, a Câmara de Boa Vista enfrentou um desafio para restaurar sua reparação diante de tantas denúncias que apontam para uma rede de corrupção e abuso de poder envolvendo membros do legislativo municipal.
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