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José Melo se defende de acusações polêmicas que marcaram sua trajetória política: “fui vítima do sistema”

Em tom sincero e sem restrições, Melo compartilhou suas reflexões sobre o passado, as lições aprendidas e as injustiças enfrentadas.

Por Natan AMPOST

06/01/2025 às 12:31 - Atualizado em 06/01/2025 às 12:38

Em uma entrevista reveladora ao Portal AM POST, o ex-governador do Amazonas, José Melo, abriu o coração para falar sobre as polêmicas que marcaram sua trajetória política. Entre os temas abordados, destacou sua cassação por compra de votos nas eleições de 2014, sua prisão na operação “Maus Caminhos” e a luta contra a depressão, reflexo de tudo que aconteceu. Em tom sincero e sem restrições, Melo compartilhou suas reflexões sobre o passado, as lições aprendidas e as injustiças enfrentadas.

Cassação Controversa

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou, em maio de 2017, a cassação do mandato do então governador reeleito do Amazonas, José Melo (PROS), e de seu vice, José Henrique de Oliveira, por compra de votos nas eleições de 2014. Por maioria de votos (5 a 2), os ministros entenderam que José Melo tinha, pelo menos, conhecimento da compra de votos realizada por Nair Queiroz Blair dentro do próprio comitê de campanha do candidato, no dia 24 de outubro de 2014. Os ministros mantiveram também a multa solidária de R$ 53 mil, aplicada contra o governador e seu vice.

José Melo, que governou o Amazonas entre 2014 e 2017, relatou que sua cassação foi motivada por dois fatores principais: uma reforma administrativa em sua gestão e o embate judicial pós-eleição. “Eu tive a coragem de fazer uma reforma administrativa. O estado estava falido por conta da crise imobiliária dos Estados Unidos que refletiu na economia global. Tirei mais de R$ 700 milhões de custo do estado, mas criei muitos inimigos que se uniram para me cassar”, afirmou.

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Melo também pontuou as supostas inconsistências na decisão judicial que determinou sua queda. “Ganhei a eleição com mais de 800 mil votos, uma diferença de 173 mil votos do meu adversário, que não aceitou e foi à Justiça. Disseram que uma pessoa havia comprado votos em meu nome. Depois, a mesma Justiça afirmou que isso não ocorreu. Fui uma vítima das nuances nebulosas do sistema judicial brasileiro”, lamentou.

Relação com Omar e Braga

José Melo também comentou sobre sua relação com os senadores Omar Aziz (PSD) e Eduardo Braga (MDB) que faziam parte de seu grupo político na época. Segundo ele houve traição da parte de Braga.

“Eu fui alçado a vida política pelo [ex-governador] Amazonino Mendes, que deu continuidade a um grupo político formado pelo Gilberto Mestrinho. Era um grupo político forte, organizado que não perdia nenhuma eleição. Quando chegou a minha vez, havia um compromisso do Eduardo Braga de me apoiar porque na reeleição dele o apoiei contra o Amazonino, ao invés de me apoiar ele se candidatou contra mim. Eu ganhei a eleição com a diferença muito grande e fui cassado”, declarou.

Melo teceu elogios a Omar Aziz mas afirmou que despreza Eduardo Braga. “Não tenho nada contra o Omar, tenho só admiração por ele. Não nos vemos há muito tempo. Mas não quero nenhum tipo de conversa com o senador Eduardo Braga. Eu me dediquei, trabalhei, arrisquei minha vida dentro do avião para ele se reeleger governador, porque ele iria perder para o Amazonino, e ele veio contra mim. Esse não merece nenhum tipo de respeito meu”, disparou.

Maus Caminhos

A terceira fase da operação “Maus Caminhos”, conduzida pela Polícia Federal, representou um dos períodos mais sombrios da vida do ex-governador. Acusado de envolvimento em desvios de recursos destinados à saúde pública, Melo foi preso em 2017 e cumpriu 133 dias de detenção, além de mais de três anos com tornozeleira eletrônica.

Ele negou veementemente as acusações, destacando que nunca teve contato com o médico Mouhamad Moustafá, apontado como o líder do esquema que desviou milhões em verbas na Saúde no Amazonas. “Fui acusado de me associar a esse médico para formar uma quadrilha. Nunca o conheci. Não faz sentido afirmar que organizamos algo juntos se nunca estivemos frente a frente”, declarou.

Melo ressaltou que a Justiça Federal, após investigação, declinou da competência para julgar o caso, pois não foi encontrado envolvimento de recursos federais. “Hoje, o processo está na Justiça Estadual e minha defesa está nos autos”, disse.

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Experiência na prisão

A experiência na prisão deixou marcas profundas. Segundo Melo, ele se isolou durante todo o período em que esteve encarcerado. “Fui tratado com respeito e, por isso, decidi permanecer na minha cela para evitar constrangimentos. Mas perder a liberdade é algo devastador”, afirmou.

A situação se agravou com a prisão de sua esposa, Edilene Oliveira, também investigada na operação. Melo descreveu o episódio como “uma verdadeira injustiça”.

Vítima do sistema

Para o ex-governador, o maior erro não esteve na cobertura da imprensa, mas no que chamou de “falhas estruturais” do sistema judicial.

“Eu fui vítima do sistema. A verdadeira injustiça foi gerada quando me acusaram de algo que eu não fiz. A imprensa fez o seu papel a injustiça que fizeram comigo foi no sistema judiciário que não teve zelo de ver os fatos que indicavam que eu não tinha nada a ver com aquilo o resto foi consequência do processo”, criticou.

“O fato de eu dar entrevistas como essa é foi esclarecendo para as pessoas a verdade. A avalanche que aconteceu lá atrás era o que a imprensa tinha reverberado por conta do que tinham visto da PF. Então o contraponto é que está triando isso aos poucos”, completou.

Desejo de vingança

Após anos de turbulência, José Melo busca reconstruir sua vida. Enfrentar a depressão foi um dos maiores desafios. Ele acredita que, apesar de tudo, sua história é uma lição de resiliência.

“Eu sai da prisão odiando o mundo e querendo me vingar de todo mundo. Imagina um cara como eu que saiu do amago do pode, que tem várias informações para jogar para fora, foi quando aconteceu um episódio. Uma cunhada minha teve um bebê, estou os pontos da cesariana dela, e ela trouxe o bebê para nossa casa e eu me apeguei a ele e esqueci todos os meus ódios. Esse bebê mudou a minha vida, ele tirou da minha cabeça todo o estrago que eu pretendia fazer na vida dos outros e na minha também”, contou.

Futuro

José Melo revelou que está escrevendo textos sobre as riquezas do Amazonas para informar a população. “O futuro a Deus pertence. O que eu pretendo fazer hoje é passar conhecimento para as pessoas. Eu espero despertar”, disse.

Declaração de Transparência

Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.

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