Lula sanciona lei da Reforma Tributária sem vetar benefício controverso ao grupo Atem, sugerido por Omar Aziz
O impacto do benefício no Tesouro Nacional é estimado em R$ 3,5 bilhões.
- Arte: Luiza Araújo/Portal AM POST
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou, nessa quinta-feira (16), a primeira lei que regulamenta a reforma tributária, relatada pelo senador Eduardo Braga (MDB). Contudo, a decisão gerou controvérsias ao manter uma emenda sugerida pelo senador Omar Aziz (PSD) e acatada por Braga, que concede isenção de PIS/Cofins e ICMS à Refinaria de Manaus (Ream), controlada pelo grupo Atem. A medida tem um impacto estimado de R$ 3,5 bilhões anuais nos cofres públicos, segundo fontes do setor.
Leia documento:DOC-EMENDA-2152-PLP-682024-20241211
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Entidades como o Comitê Nacional dos Secretários de Fazenda (ComSefaz), o Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) manifestaram-se contrárias à manutenção do benefício fiscal.
O ComSefaz destacou preocupações com os impactos da medida no setor: “A medida ameaça investimentos de longo prazo no setor, desestimulando a produção interna e afetando diretamente a geração de empregos e o desenvolvimento da indústria nacional. Além disso, pode aumentar a dependência de combustíveis importados, colocando em risco a oferta no mercado interno e gerando instabilidade nos preços”, afirmou o comitê.
Já o IBP manifestou que “este tratamento fiscal prejudica a competitividade do etanol, bem como é inconstitucional por proporcionar tratamento desigual aos contribuintes do setor”.
De acordo com a colunista do UOL, Raquel Landim, fontes do setor alertam que a medida pode dificultar a concorrência. Apesar de a autorização ser direcionada às vendas internacionais no Amazonas, não há garantias de que os combustíveis produzidos pela refinaria permaneceriam na região.
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Decisão Política
O secretário extraordinário da reforma tributária, Bernard Appy, explicou que a decisão de Lula foi tomada com cautela para evitar possíveis desdobramentos prejudiciais. Segundo ele, caso o benefício fosse retirado, poderia surgir um impacto ainda maior por conta de uma possível concessão mais ampla à refinaria.
Entretanto, fontes do setor levantaram preocupações quanto à concorrência. Embora a isenção se aplique às vendas realizadas no Amazonas, não há garantias de que os combustíveis produzidos pela refinaria permaneçam na região, o que pode desequilibrar o mercado nacional.
Histórico de Controvérsias
O grupo Atem, que adquiriu uma Ream em 2021 após a Petrobras desinvestir na refinaria, já se beneficiou de outra medida controversa. Desde 2017, uma liminar judicial permite que uma distribuidora importe combustíveis sem pagar PIS e Cofins, resultando em uma economia estimada de R$ 1,2 bilhão em tributos. A decisão tem sido alvo de críticas e contestações por concorrentes, mas permanece em vigor devido às sucessivas reinstalações por juízes locais.
A proposta sancionada por Lula inclui o refino no rol de atividades que terão incentivos da ZFM sob a justificativa de que o objetivo é viabilizar a manutenção desta atividade na Amazônia Ocidental.
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