Brasil tem 100 igrejas históricas em situação precária
A crise na conservação de tendências históricas se estende por diversas cidades do país.
- Foto: divulgação / Defesa Civil
Notícias do Brasil – O desabamento parcial do teto da Igreja de São Francisco, em Salvador (BA), na última quarta-feira (2/5), trouxe à tona uma grave crise na preservação do patrimônio histórico e religioso do Brasil. O acidente, que resultou na morte da turista Giulia Panchoni Righetto, de 26 anos, não foi um caso isolado. Segundo levantamento do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), ao menos 99 igrejas e edificações religiosas tombadas enfrentam problemas estruturais e estão em condições “ruínas” ou “péssimas” de conservação.
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A Igreja de São Francisco, conhecida como uma “igreja de ouro” por seus adornos internos dourados, já havia ocorrido ocorrência de mal conservada em vistoria realizada em junho de 2023. Além dela, outras três igrejas tombadas de Salvador estão em situação precária: Igreja de São Miguel, Igreja de Santo Antônio da Mouraria e Capela do Corpo Santo. Embora pertençam a ordens religiosas privadas, a preservação desses templos envolve esforços do Iphan, responsável pela fiscalização e restauração.
Problema nacional
A crise na conservação de tendências históricas se estende por diversas cidades do país. Em Mariana (MG), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ) e Belém (PA), edifícios religiosos centenários também foram classificados como de conservação “ruim” ou “péssima”. Em Diamantina (MG), laudos de dezembro de 2024 apontaram problemas estruturais em três igrejas: Nossa Senhora do Rosário, Igreja da Luz e Igreja de Santana. Ouro Preto (MG), um dos destinos turísticos mais visitados do Brasil, também enfrentou desafios na preservação de seu acervo religioso, com problemas na Igreja Nossa Senhora das Mercês e Misericórdia, Capela de Nossa Senhora da Piedade e Igreja Matriz de São Bartolomeu.
No Rio de Janeiro, a fiscalização do Iphan de agosto de 2023 constatou problemas estruturais na Igreja de Santa Luzia, localizada no centro da cidade. O mesmo diagnóstico foi feito anteriormente na Igreja de Nossa Senhora da Ajuda e na Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo. Já em Pernambuco, Recife e Olinda acumulam juntas 10 igrejas em condições precárias, incluindo a Igreja de São José do Ribamar, em Recife, e a Igreja de Santa Teresa e a Catedral da Sé, em Olinda – esta última, a maior igreja quinhentista do Brasil.
Negligência e desafios na preservação
Embora algumas lojas tenham passado por restaurações recentes, como a Igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto, que ficou fechada por 14 anos até sua reabertura no segundo semestre de 2023, o cenário geral preocupa especialistas. A escassez de recursos e a burocracia para liberação de palavras dificultam a manutenção adequada desses monumentos históricos.
A tragédia em Salvador reforça a urgência de investimentos em conservação e fiscalização desses patrimônios nacionais, que não representam apenas a história e a cultura do Brasil, mas também são pontos turísticos que atraem milhares de visitantes anualmente. A esperança é que o episódio sirva de alerta para a implementação de medidas efetivas antes que novos desabamentos comprometam ainda mais a integridade do legado histórico do país.
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