Bolsonaro fala sobre denúncia da PGR contra ele: “nenhuma preocupação”
Ex-presidente também criticou a Lei da Ficha Limpa, que impede a candidatura de políticos com contas rejeitadas ou condenações definitivas.
- Foto: Reprodução
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) demonstrou indiferença ao possível processo que pode ser movido contra ele pela Procuradoria Geral da República (PGR) devido a um suposto plano para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como presidente. Em entrevista nesta terça-feira (18 de fevereiro de 2025), Bolsonaro afirmou que não tem nenhuma preocupação com as acusações que podem surgir e criticou a Lei da Ficha Limpa, usada, segundo ele, para beneficiar a esquerda e perseguir a direita.
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A Procuradoria Geral da República está investigando a alegação de que Bolsonaro teria tentado organizar um golpe de Estado após a vitória de Lula nas eleições de 2022. Durante o encontro com o Bloco Vanguarda no Senado, um grupo de oposição ao governo, o ex-presidente comentou com certa ironia sobre a investigação. “O que é esse golpe que o Mossad [serviço de inteligência de Israel] não sabia? Isso resume tudo que está acontecendo”, disse ele.
Essa declaração surgiu após o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Roberto Barroso, ter afirmado que é “bastante possível” que a PGR se manifeste sobre o caso antes do Carnaval, o que colocaria a situação sob os holofotes da mídia em um momento de alta atenção política. Apesar da pressão, Bolsonaro se mostrou tranquilo: “Olha para a minha cara, o que tu acha? Eu não tenho nenhuma preocupação com as acusações, zero”, respondeu o ex-presidente ao ser questionado sobre medo de enfrentar algum tipo de sanção.
Bolsonaro também criticou a Lei da Ficha Limpa, que impede a candidatura de políticos com contas rejeitadas ou condenações definitivas. Segundo ele, a legislação seria uma ferramenta utilizada pela esquerda para prejudicar seus opositores. “A Dilma foi cassada aqui. O Lula foi solto, e ainda anularam seus processos, permitindo que ele disputasse as eleições. Sérgio Cabral [ex-governador do Rio] está elegível. O que fizeram comigo?”, indagou o ex-presidente, comparando sua situação com a de outros políticos.
Além disso, Bolsonaro questionou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, que se reuniu com embaixadores antes das eleições, um gesto que ele sugere ser semelhante ao que foi criticado em relação a ele. Através dessas afirmações, Bolsonaro reafirmou a posição de que está sendo injustiçado pelas instituições que, segundo ele, favorecem o campo político oposto.
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O ex-presidente também se debruçou sobre a recente flexibilização da Lei da Ficha Limpa, uma proposta que tem gerado discussões dentro do PL (Partido Liberal), sigla de Bolsonaro. Essa mudança pode beneficiar o ex-presidente, cuja inelegibilidade até 2030, determinada pela Justiça Eleitoral, tem gerado controvérsias. A revisão da lei, se aprovada, poderia permitir que ele se candidatasse novamente a cargos públicos, o que representa um ponto importante em sua trajetória política.
A movimentação em torno da possível denúncia da PGR e o debate sobre a legislação que pode alterar a situação de Bolsonaro reforçam o clima tenso entre os aliados do ex-presidente e as instituições do país, que seguem polarizadas desde o término da eleição de 2022. O ex-presidente segue sendo uma figura central no cenário político brasileiro, mesmo após deixar o cargo, com seus aliados buscando estratégias para viabilizar seu retorno à política.
Em paralelo, o país ainda está lidando com as repercussões do ataque de 8 de janeiro, quando bolsonaristas invadiram os três poderes em Brasília, um episódio que ainda está sendo investigado e que tem gerado muita discussão sobre o papel do ex-presidente nesse processo. As investigações continuam a avançar, mas Bolsonaro insiste que não tem nada a temer e segue firme em sua postura de resistência às acusações.
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