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Equipe do CNJ virá a Manaus na próxima semana para investigar desembargador e juiz do AM afastados por suspeita de fraude

Magistrados foram afastados dos cargos em um processo disciplinar sobre a liberação de alvarás de R$ 150 milhões em desfavor da Eletrobras.

22/02/2025 às 15:11 - Atualizado em 22/02/2025 às 19:25

O gabinete do desembargador Elci Simões, no segundo andar do edifício sede do Tribunal de Justiça do Amazonas, em Manaus, foi lacrado a mando do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A porta está fechada e ninguém pode entrar na sala. Um aviso foi colocado na entrada: “Interditado por ordem do CNJ”. O Estadão apurou que a equipe da corregedoria chega a Manaus na próxima segunda-feira, 24, para investgação.

O magistrado foi afastado do cargo em um processo disciplinar sobre a liberação de alvarás de R$ 150 milhões em desfavor da Eletrobras. O Estadão pediu manifestação dele por meio da assessoria de imprensa do tribunal, o que não havia ocorrido até a publicação deste texto. O espaço segue aberto.

Ao decretar o afastamento, o ministro Mauro Campbell, corregedor do CNJ, determinou que o acesso ao gabinete fosse bloqueado até que uma equipe do Conselho Nacional de Justiça compareça no local, com a Polícia Federal, para buscar provas que auxiliem na investigação.

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Veja documento:DECISAO-5

O corregedor também mandou periciar computadores, notebooks e tablets de uso funcional. “Que permaneçam selados o gabinete do desembargador e os respectivos aparelhos eletrônicos até que a equipe do CNJ, juntamente com a Polícia Federal, realizem os atos necessários à extração de dados para instrução do procedimento administrativo em curso nesta Corregedoria Nacional”, diz a decisão.

Em nota, o Tribunal de Justiça do Amazonas informou que “os fatos serão devidamente esclarecidos com transparência e respeito às instituições”. “O momento exige cautela e serenidade, permitindo que as investigações sigam seu curso com a devida observância ao contraditório e à ampla defesa”, diz a manifestação (leia a íntegra ao final da matéria).

Além do desembargador, o juiz Jean Carlos Pimentel dos Santos, da Vara Única da Comarca de Presidente Figueiredo, na região metropolitana de Manaus, também foi afastado.

Dois motivos levaram aos afastamentos. Primeiro, o tempo de tramitação do processo que resultou na liberação do dinheiro, mais rápido que o normal. “Aceleradíssimo trâmite processual”, estranhou Mauro Campbell.

Segundo, a tramitação de uma ação envolvendo valores tão vultuosos em uma comarca fora da capital. “Causa estranheza, ainda, o fato de execução de tamanha dimensão ter sido promovida em comarca do interior”, segue o ministro no despacho.

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Ao determinar os afastamentos, o ministro afirmou que as suspeitas que recaem sobre os magistrados são “estarrecedoras” e que as decisões foram “teratológicas” e “temerárias”.

“A atuação dos reclamados representam graves danos à imagem do Poder Judiciário amazonense, notadamente em razão dos atos que parecem indicar quebra da isonomia e da imparcialidade que se espera dos julgadores, mostrando-se estritamente necessário o afastamento cautelar dos magistrados de suas funções”, escreveu

Os alvarás foram expedidos pelo juiz de primeira instância. Campbell argumentou que, “em razão da complexidade da causa e dos vultosos valores envolvidos”, Jean Santos deveria ter despachado “após exame apurado de todos os elementos constantes nos autos e não de inopino, como de fato ocorreu”.

A decisão foi mantida pelo desembargador Elci Simões de Oliveira, por isso ele também foi afastado. O ministro afirma que a ele “competia, em grau recursal, adotar a mesma cautela que se está a exigir do magistrado de primeiro grau, o que deixou de ser feito”.

“Ao contrário, a atuação do desembargador seguiu o mesmo padrão verificado na atuação do Juízo da execução, ou seja, sem qualquer precaução, imprimiu-se celeridade incompatível com a complexidade do caso”, criticou Campbell.

Remuneração

Elci Simões recebeu R$ 778.879,82 de remuneração bruta em 2024, uma média de R$ 64,9 mil mensais. O valor excede do teto do funcionalismo público, que no ano passado era de R$ 44 mil. O valor médio do contracheque líquido do desembargador foi de R$ 46 mil.

Estadão Conteúdo

Declaração de Transparência

Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.

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