Amazonas tem baixa representatividade feminina na política com apenas 11 prefeitas, cinco deputadas estaduais e três vereadoras em Manaus
Os dados sobre a presença feminina na política local são alarmantes.
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Notícias do Amazonas – No Dia Internacional da Mulher, é fundamental refletir sobre os avanços e os desafios enfrentados pelas mulheres, especialmente na política, onde a luta por representatividade continua a ser uma batalha constante. O cenário político no Amazonas revela um progresso tímido, evidenciando a resistência estrutural que limita a ascensão feminina ao poder. Os dados sobre a presença feminina na política local são alarmantes e, ao mesmo tempo, reveladores de um sistema ainda profundamente desigual, que parece desconsiderar o potencial transformador das mulheres em cargos de liderança.
Prefeituras
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No Amazonas, das 62 cidades que formam o estado, apenas 11 elegeram mulheres para o cargo de prefeita. Esse número corresponde a 17% do total de municípios. Os candidatos homens ainda administram 51 municípios do Amazonas, o que equivale a 82%. Embora os percentuais de votos válidos para as prefeitas eleitas, como em municípios como Manacapuru e Ipixuna, onde as mulheres conquistaram mais de 60% dos votos, mostrem o apoio popular à liderança feminina, a representação ainda é insuficiente e desigual. A lógica política vigente, que muitas vezes descredita ou diminui o papel das mulheres na administração pública, está longe de se dissolver. A prevalência masculina continua sendo a norma, mesmo quando as mulheres demonstram competência e liderança nas urnas.
Veja as mulheres eleitas prefeitas no Amazonas:
Amaturá – Nazaré Rocha (MDB)
Anamã – Kátia Dantas (MDB)
Careiro Castanho – Mara Alves (Republicanos)
Eirunepé – Professora Áurea (MDB)
Ipixuna – Paula Augusta (PSDB)
Jutaí – Mercedes (União)
Manacapuru – Valcicleia Maciel (MDB)
Maués – Macelly Veras (PDT)
Nhamundá – Marina Pandolfo (União)
Nova Olinda do Norte – Professora Araci (MDB)
Rio Preto da Eva – Professora Socorro Nogueira (União)
Aleam
Esse fenômeno não se restringe apenas ao Executivo. Na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), a presença feminina é igualmente diminuta, com apenas cinco mulheres ocupando as 24 cadeiras disponíveis, o que equivale a pouco mais de 20%. São elas: Joana Darc (União Brasil), Mayara Pinheiro (Republicanos), Alessandra Campêlo (Podemos), Débora Menezes (PL) e Mayra Dias (Avante). A limitação na renovação de mandatos entre as mulheres reflete uma resistência invisível e persistente, que impede a verdadeira renovação democrática e política.
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CMM
Na Câmara Municipal de Manaus, o quadro é ainda mais preocupante. Apenas 7,31% das cadeiras são ocupadas por mulheres, ou seja, das 41 vagas disponíveis, apenas três são ocupadas por representantes do sexo feminino. As vereadoras Yomara Lins (Podemos), Professora Jacqueline (União Brasil) e Thaysa Lippy (PRD) reforçam a presença de mais mulheres no Legislativo municipal.
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Esse número é um reflexo claro de uma cultura política que exclui, de maneira sistemática, a participação das mulheres nas esferas decisórias mais próximas da população. A sub-representação feminina nas câmaras municipais é um sintoma de uma estrutura política que, muitas vezes, não vê a mulher como uma parceira legítima nas tomadas de decisão, mas sim como uma figura marginalizada.
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“Dizer que estou muito triste pela perda de uma mulher [na Câmara], Glória Carratte, que não conseguiu ser eleita. Nós só éramos quatro mulheres nessa câmara e agora apenas três retornaram. A minha expectativa era de mais mulheres na política, mas a gente ver que falta ainda que outras mulheres olhem para a política como um lugar também delas”, desabafou a vereadora Thaysa Lippy na sessão plenária de abertura dos trabalhos da CMM deste ano.
Lenta Caminhada da Representatividade Feminina na Política do Amazonas
Neste contexto, o Dia Internacional da Mulher serve como um lembrete da luta constante das mulheres por igualdade de condições. Enquanto o Brasil, como um todo, caminha lentamente em direção à paridade de gênero na política, o Amazonas parece viver um atraso ainda mais significativo. A resistência a uma maior presença feminina nos espaços de poder não é apenas uma questão de representatividade, mas uma questão de eficácia e justiça. A falta de mulheres na política não reflete apenas uma desigualdade de gênero, mas uma perda de oportunidades para uma gestão pública mais equitativa e diversificada.
As dificuldades enfrentadas pelas mulheres no Amazonas para chegar ao poder não são novidade. São parte de uma estrutura política patriarcal que ainda domina o cenário. As barreiras culturais, a falta de incentivo à participação feminina e, muitas vezes, o preconceito explícito e implícito nas campanhas eleitorais são obstáculos que limitam o acesso das mulheres a cargos de relevância. A subrepresentação das mulheres, principalmente nas eleições locais, revela a permanência de uma mentalidade antiquada que ainda acredita que a política é um terreno exclusivo dos homens.
O Dia Internacional da Mulher, portanto, não deve ser apenas um momento de celebração, mas também de reflexão sobre a urgência de mudanças estruturais no sistema político. A verdadeira igualdade de gênero na política não será alcançada enquanto as mulheres continuarem a ser uma minoria em cargos decisórios. A luta por mais mulheres no poder é uma luta por uma sociedade mais justa e representativa, onde todas as vozes, independentemente do sexo, possam ser ouvidas e respeitadas.
A falta de representatividade feminina no Amazonas não é apenas um reflexo da subestimação do potencial político das mulheres, mas também um obstáculo ao avanço social do estado. O Amazonas, com sua rica diversidade e complexidade, carece de políticas públicas que atendam às necessidades de todos os seus cidadãos. Mulheres em cargos de poder podem proporcionar uma visão mais inclusiva e humanizada das questões que afetam diretamente a população, como a saúde, educação e segurança, temas que frequentemente têm um impacto desigual sobre as mulheres.
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