Nísia Trindade denuncia misoginia e campanha de desvalorização na gestão do Ministério da saúde
Desde o final de 2023, Nísia enfrentou um processo de desgaste político dentro do governo do Lula.
- Julia Prado/MS
Notícias do Brasil – A ex-ministra da Saúde Nísia Trindade denunciou, nesta segunda-feira (10), ter sido alvo de episódios de misoginia e de uma campanha para desvalorizar seu trabalho dentro do governo. As declarações foram feitas durante a cerimônia de transmissão de posse no Palácio do Planalto, onde ela oficializou sua saída de carga e a passagem da liderança do ministério para Alexandre Padilha.
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Desde o final de 2023, Nísia enfrentou um processo de desgaste político dentro do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Aliados do presidente e membros do Centrão pressionaram por sua saída, alegando dificuldades na articulação política e sem alcance das ações do Ministério da Saúde junto aos candidatos ao governo.
O desconforto da ex-ministra ficou evidente em seu discurso de despedida. Durante sua fala, Nísia mandou recados diretos e afirmou que é necessário mudar a cultura política do país para garantir um ambiente mais respeitoso e equitativo para as mulheres no governo.
“Ainda que o sentimento predominante em mim seja a satisfação em ter feito parte da equipe do presidente Lula e ter servido ao meu país, não posso esquecer que, durante os 25 meses em que fui ministrado, uma campanha sistemática e misógina ocorreu para desvalorizar meu trabalho, minha capacidade e minha idoneidade. Não é possível e não aceito, acho que não devemos aceitar como natural um comportamento político dessa natureza”, afirmou o ex-ministro.
Nísia reforçou a necessidade de um novo modelo de política baseado no respeito e na busca de soluções concretas para o país.
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“Podemos e devemos construir uma nova política baseada de forma eficaz no respeito e no diálogo em torno de propostas para melhorar a vida da nossa população”, completou.
Pressão política e demissão
Apesar do respaldo de Lula por um tempo, o ministro começou a perder apoio devido ao desempenho de programas da pasta. O principal motivo de sua demissão foi o fracasso do programa Mais Acesso a Especialistas, que não obteve os resultados esperados.
Diante das críticas, o presidente inicialmente resistiu à pressão, mas, para acomodar interesses políticos e reorganizar a base governamental, decidiu pelas substituições de Nísia no fim de fevereiro. No entanto, ela pediu no cargo até a transição da pasta para Alexandre Padilha.
Além das disputas políticas, a saída de Nísia também expôs a dificuldade das mulheres em cargas de alto escalonamento dentro do governo. O caso gerou repercussão e clamou debates sobre a participação feminina na política e os desafios que as mulheres enfrentam em espaços de poder.
Com um histórico de atuação na saúde pública e no comando da Fiocruz, Nísia Trindade deixa o Ministério da Saúde após pouco mais de dois anos de gestão. Seu discurso de despedida reforça a necessidade de um ambiente político mais equitativo e menos hostil
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