Vírus varíola: uma doença erradicada, mas com potencial de pandemia
O vírus se espalha principalmente por gotículas respiratórias.

Imagem: Freepik
A varíola já foi um pesadelo global. Causada pelo vírus da varíola, um ortopoxvírus, essa doença altamente contagiosa matava cerca de 30% dos infectados em sua forma mais grave. Graças à vacinação em massa, ela foi erradicada em 1977 — uma vitória histórica da medicina! Mas o risco de bioterrorismo mantém esse vilão no radar. Vamos entender o que é a varíola, como ela funciona e por que ainda falamos dela.
Uma História de Sucesso (Com Um Asterisco)
A varíola saiu de cena há décadas. O último caso natural foi registrado em 1977, e em 1980 a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou: “Missão cumprida!”. A vacinação parou — nos EUA, por exemplo, acabou em 1972. Como o vírus só infecta humanos e não sobrevive mais de dois dias fora do corpo, ele perdeu a batalha. Mas há um porém: estoques do vírus guardados para pesquisa e a chance de recriá-lo em laboratório deixam a porta aberta para um retorno indesejado.
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O Vírus Varíola e Seus Dois Rostos
O vírus da varíola tem duas versões principais:
- Variola major: a forma clássica, mais perigosa e letal.
- Variola minor: também chamada de alastrim, mais leve, com menos de 1% de mortalidade.
Ele se espalha principalmente por gotículas respiratórias (tipo um espirro), mas também por contato com lesões ou objetos contaminados, como roupas. É supercontagioso nos primeiros 7 a 10 dias após o surgimento das erupções na pele, mas fica mais tranquilo quando as crostas aparecem.
Como o Vírus Varíola Ataca
O vírus entra pela boca, garganta ou pulmões, multiplica-se nos linfonodos e depois cai na corrente sanguínea. Daí, ele se instala na pele e nas mucosas, causando os sintomas clássicos. Às vezes, pode atingir o cérebro (encefalite), mas isso é raro.
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Os Sintomas: Um Show de Horrores
Na variola major, o drama segue esse roteiro:
- Incubação: 7 a 17 dias sem sinais (média de 10 a 12 dias).
- Pródromo: 2 a 3 dias de febre alta, dor de cabeça, dores no corpo e, em alguns casos, vômitos.
- Erupções: Lesões começam na boca e no rosto, espalham-se pelo corpo e viram pústulas densas — mais na face e nas extremidades. Diferente da catapora, todas estão no mesmo estágio em cada parte do corpo.
- Final: Após 8 ou 9 dias, formam-se crostas, deixando cicatrizes marcantes.
Cerca de 5% a 10% dos casos viram algo pior:
- Forma hemorrágica: sangramentos na pele e mucosas, fatal em poucos dias.
- Forma maligna: lesões planas e confluentes, com alta mortalidade.
A variola minor é mais tranquila, com sintomas leves e menos erupções. A morte, quando acontece, vem na segunda semana, por uma reação inflamatória que derruba o corpo.
Diagnosticando o Inimigo
Se houver suspeita, o diagnóstico usa:
- PCR: testa o DNA do vírus em amostras das lesões.
- Microscopia eletrônica: vê o vírus de perto.
- Cultura viral: confirma com mais detalhe.
Qualquer suspeita exige notificação imediata às autoridades — nos EUA, é ligar pro CDC (770-488-7100). Testes só rolam se houver risco real, como bioterrorismo, pra evitar falsos alarmes.
Tratamento: Suporte e Algumas Armas Novas
Não existe cura mágica, mas o básico é:
- Cuidados de suporte: hidratação, controle da febre e antibióticos pra infecções extras.
- Isolamento: essencial pra não espalhar o vírus.
- Antivirais: tecovirimat (aprovado em 2018) e brincidofovir (2021) são opções promissoras, testadas em laboratório e animais. Cidofovir pode entrar em cena em emergências.
Esses remédios estão guardados nos estoques estratégicos dos EUA, prontos pra um surto.
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Prevenção: A Vacina Salva o Dia
A vacinação acabou com a varíola, e hoje temos duas opções nos EUA:
- ACAM2000: usa um vírus vivo (vaccinia) que protege bem, mas pode causar complicações graves (1 em 10 mil), como encefalite ou vaccinia progressiva. Não é pra todo mundo — gestantes, imunossuprimidos e quem tem eczema devem passar longe.
- JYNNEOS: mais segura, com vírus atenuado, ideal pra quem não pode tomar a ACAM2000.
A imunidade cai com o tempo: após uma dose, some em 20 anos; com reforços, pode durar mais de 30. Hoje, só vacinamos quem tem alto risco, como cientistas de laboratório.
Por Que Ainda Falamos de Varíola?
Nenhum caso desde 1977, mas o bioterrorismo é o elefante na sala. Com vacinas e antivirais, estamos preparados — ou quase. A varíola nos ensinou que a ciência pode vencer, mas também que nunca dá pra baixar a guarda.
Referência: msdmanuals.com – Brenda L. Tesini
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