Brasil é citado em documento secretos revelados pelos EUA sobre o assassinato de John Kennedy
A publicação dos documentos foi autorizada pelo presidente Donald Trump.
- Foto: AP
Na terça-feira (18), o governo dos Estados Unidos divulgou mais de 2 mil documentos relacionados às investigações do assassinato do ex-presidente John F. Kennedy, ocorrido em 1963. Entre os arquivos liberados, há menções ao Brasil, principalmente no contexto da Guerra Fria e da influência de Cuba e China na América Latina.
A publicação dos documentos foi autorizada pelo presidente Donald Trump. Os arquivos incluem relatórios de diversas agências governamentais, como a Agência Central de Inteligência (CIA), e revelam detalhes sobre a política externa norte-americana durante a década de 1960.
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Brizola recusou apoio de Cuba e China
Um dos documentos liberados menciona o então governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, e seu envolvimento em eventos políticos importantes no Brasil. De acordo com um telegrama da CIA, em agosto de 1961, Brizola teria recusado apoio oferecido por Cuba e China para fortalecer sua posição política.
O telegrama revela que Brizola liderava a mobilização para garantir que João Goulart assumisse a presidência após a renúncia de Jânio Quadros. Na época, Fidel Castro e Mao Tse-Tung ofereceram apoio material, incluindo a possibilidade de envio de “voluntários” para auxiliar a causa de Brizola. No entanto, temendo represálias diplomáticas e uma eventual intervenção norte-americana, o governador optou por recusar a ajuda.
Brizola, que faleceu em 2004 aos 82 anos, foi uma figura polêmica na política brasileira, sendo conhecido por seu forte posicionamento nacionalista e sua oposição aos regimes militares.
CIA e as operações de sabotagem contra Cuba
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Outro documento, datado de janeiro de 1962, revela detalhes das estratégias da CIA para enfraquecer o governo de Fidel Castro. Segundo o arquivo, os EUA planejaram uma operação secreta em fevereiro daquele ano para fomentar um movimento de resistência dentro de Cuba.
O plano envolvia a disseminação de propaganda anticomunista e a realização de operações políticas em vários países da América Latina e do Caribe. O documento destaca que manifestações em massa foram organizadas no Brasil, bem como na Argentina, Bolívia, Chile, Uruguai e outros países da região, como parte de uma estratégia para conter a influência cubana no continente.
Impacto histórico e repercussões
A liberação desses documentos reforça o papel central da Guerra Fria na política internacional e o intenso envolvimento dos EUA na América Latina durante o período. Para historiadores, as informações ajudam a esclarecer aspectos pouco explorados da relação entre os Estados Unidos e os governos latino-americanos da época, especialmente no que diz respeito às intervenções políticas e à influência de potências estrangeiras na região.
A divulgação dos arquivos também pode impactar a percepção sobre figuras históricas como Leonel Brizola, reafirmando seu papel na defesa da soberania nacional. Além disso, a documentação destaca o Brasil como um dos cenários de disputas ideológicas entre potências globais no século XX.
À medida que mais arquivos são liberados, espera-se que novos detalhes sobre as relações diplomáticas e estratégias secretas da CIA venham à tona, fornecendo uma compreensão ainda mais profunda do período.
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