Envelhecer no Brasil: Será que perdemos o valor depois dos 60?
Neste artigo, analiso criticamente o peso de envelhecer numa sociedade que exalta a juventude

Foto: Freepik
No Brasil, envelhecer é frequentemente visto como uma sentença de irrelevância. Passada a juventude, as pessoas perdem valor aos olhos da sociedade, enquanto a busca por um ideal jovem a qualquer custo — com cirurgias, filtros de Instagram ou promessas de beleza eterna — domina a cultura. Idosos são rotulados como feios, desinteressantes e um fardo, seja nas novelas, no mercado de trabalho ou até nas políticas públicas. Essa crítica explora como o etarismo desumaniza quem envelhece e reflete uma falha coletiva em valorizar a experiência e a história de vida.
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A Juventude como Troféu Inatingível
A obsessão pela juventude é visível em cada comercial de cosméticos ou reality show brasileiro. Rostos sem rugas e corpos esculpidos são exibidos como o único padrão de sucesso, enquanto o mercado da estética fatura bilhões com a insegurança de quem teme o passar dos anos. Essa pressão é ainda mais cruel num país de tantas desigualdades, onde nem todos têm acesso aos meios para “combater” o tempo. Por que aceitamos que o valor de alguém diminua com a idade? A idolatria da juventude não só ignora a realidade de um Brasil diverso, mas condena todos a um ideal que o tempo, inevitavelmente, desfaz.
Os Idosos na TV e na Vida: Invisíveis ou Fardos
Na televisão brasileira, a representatividade dos idosos é mínima. Novelas de grande emissoras raramente os colocam como protagonistas — quando aparecem, são avós caricatos ou figuras secundárias, quase nunca com histórias próprias. Fora das telas, o mercado de trabalho os descarta, preferindo “novos talentos” a profissionais experientes. Socialmente, cabelos grisalhos e rugas são tratados como defeitos, e a narrativa de que idosos são “pouco interessantes” ou um peso para o SUS e as famílias ganha força. Num país onde a população idosa cresce — segundo o IBGE, 14,7% dos brasileiros tinham 60 anos ou mais em 2022 —, por que continuamos a ignorar quem construiu o que temos hoje?
Políticas Públicas: Promessas Vazias para a Terceira Idade
O etarismo também se reflete nas políticas públicas insuficientes. Apesar do Estatuto do Idoso (Lei 10.741/2003), a realidade mostra filas intermináveis no SUS, aposentadorias que mal cobrem o básico e transporte público precário para quem já não tem a mobilidade de antes. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que a solidão e a depressão entre idosos estão em alta globalmente, e o Brasil não é exceção. Enquanto o governo exalta programas assistenciais, a execução falha deixa claro: envelhecer aqui é ser relegado a segundo plano. Não é paradoxal que um país tão orgulhoso de sua “alegria” trate tão mal quem viveu mais?
O Custo Cultural do Etarismo
Essa visão tem consequências graves. Ao desprezar os mais velhos, perdemos a chance de aproveitar sua sabedoria num Brasil que precisa de soluções criativas para crises econômicas e sociais. A exclusão alimenta a solidão — o IBGE aponta que 1 em cada 4 idosos vive sozinho — e a juventude sofre a pressão de um padrão inatingível. E quando nós envelhecermos? A cultura que criamos hoje nos prepara para sermos descartados amanhã. O etarismo não é só uma injustiça; é uma armadilha para todos.
É hora de repensar o etarismo no Brasil. Por que valorizamos tanto a juventude e tão pouco a maturidade? Por que permitimos que a sociedade trate o envelhecimento como uma tragédia, não como uma conquista? A beleza e a força dos idosos estão em suas histórias, não em sua aparência. Conte nos comentários: você acha que estamos prontos para mudar essa narrativa? Ou conhece alguém mais velho que te inspira com sua vitalidade e experiência? Vamos dar voz a quem merece ser ouvido.
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