Recurso do MP-AM busca levar a júri popular dono do Supermercado Vitória acusado de mandar matar sargento em Manaus
No recurso apresentado, o MP-AM destaca que a vítima, Lucas Guimarães, teve um relacionamento amoroso a esposa do empresário e isso motivou o crime.
- Foto: reprodução
Notícias de Manaus – O Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM) entrou com um recurso nesta quinta-feira, 27, contra a decisão judicial que retirou do Júri Popular o empresário Joabson Agostinho Gomes, dono da rede de supermercados Vitória e outras quatro pessoas. Ele é acusado de ser o mandante do assassinato do sargento do Exército Lucas Ramon Guimarães, ocorrido em 2021. O MP-AM argumenta que há elementos suficientes para a pronúncia dos acusados e reforça que a motivação do crime estaria ligada a um caso extraconjugal da vítima com a esposa de Joabson.
A decisão contestada foi proferida pelo juiz Fábio Lopes Alfaia, que impronunciou Joabson e outros quatro envolvidos no caso, determinando o fim da primeira fase do processo no Tribunal do Júri. Apenas Silas Ferreira da Silva, apontado como o autor dos disparos contra Lucas, teve a prisão preventiva mantida. O MP-AM, no entanto, defende que a impronúncia não se justifica, pois há indícios suficientes para levar todos os denunciados a julgamento popular.
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Recurso e argumentos do MP-AM
No recurso apresentado, o Ministério Público destaca que a vítima, Lucas Guimarães, teria um relacionamento amoroso com Jordana Azevedo Freire, esposa de Joabson. Ainda segundo o MP, o empresário teria descoberto a traição e também que Jordana desviava dinheiro do supermercado para repassar ao amante. O órgão argumenta que essas descobertas levaram Joabson a planejar o homicídio, conforme depoimentos colhidos durante a investigação.
Testemunhas ouvidas no inquérito relataram que Lucas temia por sua vida após Joabson descobrir o relacionamento. O documento do MP-AM menciona que Jordana chegou a afirmar que foi agredida pelo marido e que ele fazia ameaças contra Lucas. Esses elementos reforçam a tese de que o assassinato foi encomendado pelo empresário.
Outro ponto destacado no recurso é o depoimento extrajudicial de Silas Ferreira da Silva, que admitiu ter sido contratado para cometer o crime. Segundo ele, o pagamento de R$ 65 mil teria sido intermediado por um funcionário do Supermercado Vitória, conhecido como Reginaldo. O MP-AM cita ainda que Reginaldo teria mencionado a influência de Joabson no meio jurídico, sugerindo que o empresário acreditava que conseguiria evitar condenação.
Veja documento:Alegações finais
Decisão judicial e polêmica
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A sentença do juiz Fábio Lopes Alfaia determinou a revogação das medidas cautelares impostas a Joabson e aos outros quatro acusados: Romário Vinente Bentes, gerente de uma das unidades do supermercado; Kamylla Tavares da Silva; Kayandra Pereira Castro; e Kayanne Castro Pinheiro dos Santos.
Apesar de não absolver os envolvidos, a impronúncia foi concedida sob o argumento de que não há provas mínimas para levá-los ao Júri Popular. Com a decisão, as acusações contra esses cinco envolvidos ficam suspensas, embora possam ser retomadas caso surjam novas provas.
O MP-AM, no entanto, contesta essa avaliação, defendendo que as provas já existentes são suficientes para a pronúncia e consequente julgamento pelo Tribunal do Júri. O órgão reforça que a impronúncia pode significar impunidade para os envolvidos, prejudicando a busca por justiça no caso do assassinato de Lucas Guimarães.
Repercussão e próximos passos
O caso tem gerado grande repercussão, especialmente por envolver um empresário de destaque no setor varejista do Amazonas. O homicídio de Lucas Guimarães e as circunstâncias que envolvem a motivação do crime chamaram atenção da opinião pública e de entidades de justiça.
Com o recurso apresentado, caberá ao Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM) analisar os argumentos do MP-AM e decidir se a impronúncia será mantida ou revertida. Caso o recurso seja aceito, Joabson Agostinho Gomes e os demais acusados impronunciados poderão ser submetidos ao Júri Popular.
A defesa do empresário e dos outros acusados sustenta que a decisão de impronúncia foi correta e que não existem provas concretas que liguem Joabson ao crime. Eles afirmam que as acusações do MP-AM são baseadas em suposições e depoimentos contraditórios.
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