Com novo parecer da PGR, Bolsonaro busca anulação do ‘Inquérito do Golpe’
Aliados de Bolsonaro contestam a legitimidade da colaboração de Mauro Cid.
- Foto: Reprodução/Redes Sociais/Instagram
Notícias do Brasil – A defesa de Jair Bolsonaro anunciou que solicitará ao Supremo Tribunal Federal (STF) a anulação do inquérito e da ação penal que investigam sua suposta participação em um golpe de Estado. O pedido será fundamentado no novo parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), que, em manifestação datada de quinta-feira (27), pediu o arquivamento de uma outra investigação que envolvia o ex-presidente e um suposto esquema de fraude na carteira de vacinação. O argumento central da defesa é que as operações policiais realizadas nesse caso tiveram como objetivo inicial apreender documentos e aparelhos eletrônicos que pudessem ser usados em outras apurações contra Bolsonaro, o que seria uma prática proibida no Brasil, conhecida como “fishing expedition” no jargão jurídico.
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Em entrevista, o advogado Paulo Cunha Bueno, que representa Bolsonaro, reforçou a tese de que a investigação das vacinas foi usada como uma “pescaria probatória” para obter material que pudesse prejudicar o ex-presidente. Segundo Bueno, a investigação inicial sobre a possível falsificação de dados de vacinação foi apenas o ponto de partida para uma série de buscas e apreensões, que eventualmente desembocaram em investigações sobre o caso das joias e sobre o suposto golpe de Estado. “Tudo no inquérito das vacinas foi usado para fishing expedition”, afirmou o advogado, indicando que a defesa usará esse argumento para pedir a anulação do inquérito e da ação penal relacionadas ao golpe.
O caso envolvendo a fraude na carteira de vacinação foi inicialmente motivado pela prisão de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, em maio de 2023. Cid foi detido sob suspeita de envolvimento em fraudes envolvendo documentos de vacinação. No entanto, quatro meses após a prisão, o ministro Alexandre de Moraes homologou a delação premiada de Cid, que se tornou um ponto central nas investigações subsequentes. A colaboração de Cid acabou por lançar novas suspeitas sobre o ex-presidente e sua suposta participação em um golpe de Estado, além de vincular Bolsonaro a um esquema envolvendo joias sauditias.
Aliados de Bolsonaro contestam a legitimidade da colaboração de Mauro Cid, argumentando que ela teria sido obtida sob pressão psicológica, uma vez que o ex-ajudante estava preso e com sua família sob risco de perseguição. A defesa do ex-presidente sugere que Cid teria inventado acusações para obter o benefício da redução de pena. A situação gerou reações em diferentes esferas políticas e jurídicas, e o caso foi levado à Organização dos Estados Americanos (OEA), que em fevereiro de 2024 ouviu Bolsonaro e Moraes sobre supostas violações ao devido processo legal e à liberdade de expressão no Brasil.
No entanto, o parecer da PGR sobre a investigação das vacinas gerou alívio para Bolsonaro e seus aliados. A PGR pediu o arquivamento das investigações contra o ex-presidente, alegando a ausência de provas suficientes para sustentar as acusações de inserção de dados falsos no sistema de informações do Ministério da Saúde. A manifestação do procurador-geral Paulo Gonet foi enviada ao STF e pode ter implicações significativas nas investigações em curso contra Bolsonaro, incluindo aquelas relacionadas ao golpe de Estado.
O arquivamento da investigação sobre a fraude na vacinação foi um marco importante para Bolsonaro, pois ocorre em um momento em que o ex-presidente já enfrenta um processo judicial relacionado à tentativa de golpe. O desfecho dessa apuração, somado ao pedido de anulação do inquérito e da ação penal por parte da defesa de Bolsonaro, é um reflexo da tensão que envolve o ex-presidente em seu enfrentamento com o STF e as investigações que ainda seguem contra ele. O impacto desse movimento jurídico deve ser observado com atenção, uma vez que pode alterar a trajetória das investigações e influenciar o futuro político de Bolsonaro.
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