Bolsonaro diz que prisão seria o fim de sua vida: “estou com 70 anos”
Ex-presidente virou réu após STF aceitar denúncia ele e mais sete aliados por tentativa de golpe.
- Foto: Arquivo/Agência Brasil
Notícias de política – O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) fez declarações impactantes em entrevista exclusiva à Folha de S. Paulo sobre sua situação jurídica e política, afirmando que uma eventual prisão representaria o fim de sua vida, tanto pessoal quanto profissional. O político, que tem 70 anos, reagiu com veemência às acusações de que teria tentado um golpe de Estado após sua derrota nas eleições de 2022.
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“Eu já estou com 70 anos”, declarou o ex-presidente. “Uma prisão, para mim, é o fim da minha vida. Completamente injusta uma possível prisão. Cadê meu crime? Onde eu quebrei alguma coisa? Cadê a prova de um possível golpe?” Bolsonaro questionou, sugerindo que as alegações contra ele não têm fundamento legal. A entrevista foi divulgada neste sábado, 29 de março.
Essas declarações surgem em meio ao crescente envolvimento de Bolsonaro em investigações relacionadas a um suposto golpe de Estado. Nesta semana, os ministros da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) aceitaram, por unanimidade, a denúncia contra Bolsonaro e mais sete de seus aliados, acusados de tentar implementar um golpe após sua derrota eleitoral. O STF está apurando o envolvimento do ex-presidente em uma trama golpista, que teria sido arquitetada com o apoio de figuras chave de sua base política e militar.
Embora ainda esteja no centro das investigações, Bolsonaro minimizou os encontros que teve com comandantes militares e outros aliados no período pós-eleitoral. Segundo ele, os encontros não foram profundos e não tinham intenções de realizar um golpe. “Nada [foi] com muita profundidade, porque quando você perde a eleição, você fica um peixe fora d’água”, explicou o ex-presidente, que também insinuou que, caso realmente quisesse dar um golpe, teria adotado uma postura diferente, como trocar o ministro da Defesa ou os comandantes das Forças Armadas.
Bolsonaro ainda se defendeu ao afirmar que discutir dispositivos constitucionais não caracteriza crime, alegando que as conversas e declarações feitas durante e após as eleições estavam dentro dos limites da liberdade de expressão e não representam qualquer tentativa de subverter a ordem democrática.
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