Juiz aposentado que usou nome falso por 45 anos recebeu R$ 166 mil em fevereiro
O magistrado atuou na 35ª Vara Cível Central da Comarca de São Paulo até abril de 2018, quando se aposentou.
- Foto: divulgação
Notícias do Brasil – Um escândalo envolvendo um juiz aposentado do Tribunal de Justiça de São Paulo veio à tona após investigações do Ministério Público de São Paulo (MPSP). Segundo a denúncia, José Eduardo Franco dos Reis usou uma identidade falsa por 45 anos, apresentando-se como Edward Albert Lancelot Dodd Canterbury Caterham Wickfield. Em fevereiro deste ano, ele recebeu R$ 166.413,94 de vencimentos brutos, de acordo com o Portal da Transparência do TJ-SP. O valor líquido do pagamento foi superior a R$ 143 mil.
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O magistrado atuou na 35ª Vara Cível Central da Comarca de São Paulo até abril de 2018, quando se aposentou. Ele ingressou na magistratura em 1995 e, ao longo de sua carreira, acumulou gratificações e benefícios que inflaram sua remuneração. Agora, sua trajetória é alvo de investigação por uso de documento falso e falsidade ideológica.
A farsa que durou 45 anos
As investigações conduzidas pelo MPSP apontam que José Eduardo Franco dos Reis nasceu em Águas da Prata, interior de São Paulo, mas viveu durante décadas sob uma identidade fictícia. Ele se apresentava como Edward Albert, alegando ser descendente de nobres britânicos.
Essa falsa identidade lhe permitiu ingressar na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), onde se formou em 1992. Três anos depois, foi aprovado no concurso para juiz e iniciou sua carreira no Tribunal de Justiça de São Paulo.
Engano às instituições públicas
O MPSP destacou que José Eduardo usou a identidade falsa para burlar o sistema e construir uma carreira no meio jurídico. Em 1995, chegou a dar entrevistas se passando pelo suposto descendente britânico.
“Com a cédula de identidade e demais documentos, sob a persona fictícia de Edward Albert Lancelot Dodd Canterbury Caterham Wickfield, o denunciado José Eduardo Franco dos Reis, dentre outros possíveis usos da documentação ideologicamente falsa em atos da vida civil, ingressou no curso de Direito da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, onde se formou em 1992. Em 1995, foi aprovado no concurso de Juiz de Direito, passando a exercer a magistratura até a aposentadoria”, destacou a denúncia do MPSP.
Diante das acusações, o Ministério Público busca esclarecer como a fraude se manteve por tantos anos sem ser descoberta por instituições acadêmicas e públicas. A denúncia pode levar à anulação de sua aposentadoria e à responsabilização criminal.
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Declaração de Transparência
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