Retrocesso anunciado: Possível retorno de Omar Aziz ao Governo do Amazonas trará de volta petista a bancada do Amazonas
O último petista a integrar a bancada federal do Amazonas foi derrotado nas urnas nas eleições de 2022.
- Arte: Luiza Araújo/Portal AM POST
Notícias do Amazonas – O senador Omar Aziz (PSD-AM) oficializou recentemente sua pré-candidatura ao Governo do Amazonas para as eleições de 2026, e sua possível vitória no pleito traria de volta um nome petista para composição da bancada federal do Amazonas, em um momento em que a população demonstra cansaço com velhas práticas e rejeição clara ao Partido dos Trabalhadores (PT).
De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a primeira suplente de Aziz é a ex-vereadora de Itacoatiara, Cheila Moreira, diretamente ligada ao deputado estadual Sinésio Campos, presidente estadual do PT-AM. O segundo suplente é o ex-senador João Pedro (PT), figura histórica do petismo no estado, que assumiu mandato em 2007 após o então senador Alfredo Nascimento (PL), que hoje se diz bolsonaristas, assumir ministério no governo Lula.
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O último petista a integrar a bancada federal do Amazonas foi o atual vereador de Manaus e ex-deputado José Ricardo, derrotado nas urnas no pleito de 2022 ao tentar reeleição.
Esquerda ou direita
Apesar de buscar se reposicionar como um nome mais “moderado” e até conservador em certas pautas sociais, as tentativas de Aziz de se distanciar do campo progressista esbarram em sua longa associação com figuras do PT e em seu apoio declarado ao presidente Lula. Em uma entrevista recente à Rede Onda Digital, Aziz tentou se apresentar como cristão e contrário ao aborto, em um esforço para conquistar o eleitorado mais conservador.
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A fala, no entanto, teve efeito oposto: desagradou tanto eleitores de esquerda quanto de direita. Setores progressistas o acusaram de adotar um discurso reacionário, enquanto conservadores não se convenceram da autenticidade da mudança de postura, encarando suas declarações como meramente eleitoreiras.
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Especialistas em ciência política apontam que a movimentação de Aziz reflete um fenômeno comum em anos pré-eleitorais: a tentativa de remodelar a imagem para agradar diferentes segmentos do eleitorado. No entanto, o desgaste acumulado por anos de alianças controversas, denúncias e a ligação com o PT podem tornar essa tarefa quase impossível.
Histórico
Aziz, que já governou o Amazonas entre 2010 e 2014, tenta agora um retorno ao Executivo estadual, em meio a um cenário político que mudou significativamente desde sua última passagem. A pré-candidatura do cacique da política amazonense não anima eleitores. Hoje, seu nome está cercado de críticas, desconfiança e lembranças de escândalos que ainda repercutem no estado.
A tentativa de retorno do senador, considerado um dos caciques da política amazonense, é vista por muitos como um sinal de estagnação política. Em um momento em que o eleitorado cobra renovação e responsabilidade, Aziz carrega o peso de uma gestão criticada e de um histórico que ainda desperta controvérsias.
O principal episódio que ainda mancha sua imagem é a Operação Maus Caminhos, deflagrada pela Polícia Federal em 2016, e considerada a maior da história no Amazonas. A operação investigou um esquema de corrupção e desvio de verbas da saúde pública, com indícios de irregularidades ocorridas durante o mandato de Aziz como governador. Em 2019, familiares do senador chegaram a ser presos por suposto envolvimento no esquema, que teria desviado milhões de reais dos cofres estaduais.
Embora o próprio Omar Aziz não tenha sido preso — por possuir foro privilegiado à época das investigações —, o inquérito foi conduzido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e acompanhado pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Segundo os investigadores, os desvios começaram ainda no seu governo e continuaram nas gestões seguintes.
Aziz nega as acusações e recentemente em todas as entrevistas que dá afirma que o inquérito foi arquivado porque “não havia absolutamente nada” contra ele. “Nunca fui denunciado. Oito anos depois, o inquérito foi encerrado porque não havia absolutamente nada contra mim”, diz.
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