General Freire Gomes minimiza minuta do golpe e é cobrado por Moraes em depoimento ao STF
Foi a primeira vez que o general se manifestou formalmente sobre o caso desde o início da apuração.
- Foto: © Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Notícias do Brasil – Em depoimento prestado ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira (19), o general Marco Antônio Freire Gomes, ex-comandante do Exército, deu sua versão sobre os bastidores da trama golpista investigada pela Polícia Federal que teria ocorrido durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Foi a primeira vez que o general se manifestou formalmente sobre o caso desde o início da apuração.
O depoimento durou mais de duas horas e foi marcado por momentos de tensão. O ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito do golpe no STF, conduziu pessoalmente a oitiva e chegou a repreender Freire Gomes após identificar contradições com declarações anteriores dadas à Polícia Federal. “Ou o senhor falseou a verdade na Polícia Federal ou está falseando a verdade aqui”, afirmou Moraes, cobrando mais clareza do militar.
PUBLICIDADE
Durante o depoimento, Freire Gomes minimizou a importância da chamada “minuta do golpe”, que sugeria ações autoritárias para impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo ele, o material entregue por Bolsonaro aos comandantes das Forças Armadas não era um plano de ação, mas apenas um “estudo” baseado em interpretações jurídicas da Constituição. Afirmou ainda que o documento não gerou alarme entre os chefes militares.
Leia também: Esposa lamenta morte de companheiro que foi atropelado por carro em alta velocidade em Manaus: “Meu coração sangra”
— O que foi apresentado foi um estudo, não um documento oficial. Tratava de aspectos como estado de sítio, GLO (Garantia da Lei e da Ordem) e outros mecanismos constitucionais. Não houve incitação ao golpe — declarou o general.
No entanto, a versão de Freire Gomes diverge do que ele próprio havia relatado anteriormente à Polícia Federal. À época, o general teria mencionado ter presenciado conversas entre Bolsonaro e o então comandante da Marinha, almirante Almir Garnier, nas quais se discutia a possibilidade de intervir contra a posse de Lula. Ao ser confrontado por Moraes sobre essa mudança, Freire Gomes negou ter presenciado qualquer conluio ou plano prático articulado entre os militares e o ex-presidente.
PUBLICIDADE
A fala do general contraria também relatos de outros integrantes das Forças Armadas, que apontaram a reunião como um dos momentos críticos da articulação de um possível golpe de Estado. Freire Gomes, no entanto, tentou afastar de si qualquer responsabilidade, alegando que Bolsonaro teria compartilhado os chamados estudos apenas “por consideração”, e não como uma diretriz ou ordem.
— Talvez ele tenha nos apresentado por consideração, por tratar de temas como estado de defesa e GLO. Estava apenas nos dando ciência de que esses estudos começariam a ser feitos — disse o general.
A Polícia Federal considera Freire Gomes uma das figuras-chave para que o plano golpista não tenha sido executado. A sua recusa em apoiar a ruptura institucional é vista pelos investigadores como um dos fatores decisivos para o fracasso da tentativa. Ainda assim, o recuo em seu depoimento oficial levanta questionamentos sobre sua real participação e conhecimento dos bastidores do caso.
O inquérito que apura a tentativa de golpe segue em curso no STF e já ouviu dezenas de testemunhas e investigados. A expectativa é de que novos depoimentos de militares e integrantes do governo anterior ajudem a esclarecer o grau de envolvimento de cada ator nas tentativas de subverter a ordem democrática após as eleições de 2022.
O caso segue sob sigilo parcial e, segundo fontes próximas ao STF, o ministro Alexandre de Moraes pode convocar Freire Gomes para um novo depoimento, caso novas inconsistências sejam detectadas.
Encontrou algum erro? Clique aqui e nos ajude a melhorar a informação
Declaração de Transparência
Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.
Siga-nos






