Vídeo: Entenda o que acontece no corpo durante um jejum de 36 horas
Descubra os efeitos do jejum de 36 horas no corpo, seus benefícios, riscos e o que a ciência diz sobre essa prática viral.

Foto: Anastasia Kazakova
Curiosidades – Um vídeo viral nas redes sociais, que detalha os efeitos de um jejum de 36 horas no corpo humano, tem gerado grande interesse e discussões acaloradas. Enquanto entusiastas defendem o jejum intermitente como uma prática transformadora para a saúde, especialistas alertam para a complexidade dos seus impactos. Mas o que realmente acontece no organismo durante um jejum prolongado? Quais são os benefícios, os riscos e por que a ciência ainda não chegou a um veredicto final? Neste artigo, exploramos cada etapa do processo, os prós e contras, e o que você precisa saber antes de experimentar.
Por que o Jejum Intermitente é Tão Popular?
O jejum intermitente conquistou adeptos em todo o mundo, seja por motivos espirituais, como no Ramadã, seja por promessas de benefícios à saúde, como perda de peso, melhoria da clareza mental e controle glicêmico. A prática envolve períodos alternados de alimentação e abstinência de alimentos, com o jejum de 36 horas sendo uma das formas mais desafiadoras. Mas o que ocorre no corpo durante esse tempo? Vamos analisar etapa por etapa.
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As Primeiras 4 Horas: O Início da Jornada
Após as primeiras 4 horas sem ingerir alimentos, o corpo conclui a digestão e entra na fase catabólica. Nesse momento, o organismo começa a quebrar o glicogênio armazenado no fígado para fornecer energia às células. É como se o corpo acessasse uma reserva de emergência para manter funções vitais, como a respiração e os batimentos cardíacos.
O que você sente?
Sensação leve de fome.
Energia relativamente estável, já que o glicogênio ainda está disponível.
8 a 12 Horas: Transição Metabólica
Entre 8 e 12 horas de jejum, os níveis de glicose no sangue diminuem significativamente. O glicogênio hepático continua sendo a principal fonte de energia, mas o corpo começa a se preparar para uma mudança metabólica mais profunda. Essa transição é essencial para entender os efeitos de jejuns mais longos.
O que você sente?
Possível aumento da fome.
Algumas pessoas relatam maior foco mental, enquanto outras podem sentir irritabilidade.
12 a 16 Horas: Entrando na Cetose
Após 12 horas sem comer, o fígado começa a quebrar gordura em ácidos graxos e corpos cetônicos, iniciando o processo de cetose. Esses corpos cetônicos passam a substituir a glicose como combustível primário, especialmente para o cérebro. Estudos sugerem que a cetose pode melhorar a sensibilidade à insulina e auxiliar na queima de gordura.
Por volta das 16 horas, entra em cena a autofagia, um processo em que as células reciclam componentes danificados, promovendo renovação celular. Esse mecanismo é apontado como um dos principais benefícios do jejum, com possíveis efeitos na prevenção de doenças degenerativas.
O que você sente?
Redução da fome, já que os corpos cetônicos suprimem o apetite.
Sensação de leveza ou maior clareza mental para alguns.
24 a 36 Horas: Regeneração ou Alerta?
Após 24 horas, a cetose se intensifica, e a queima de gordura atinge níveis mais altos. A inflamação no corpo tende a diminuir, e o hormônio do crescimento aumenta, ajudando a preservar a massa muscular e acelerar a perda de gordura.
Ao atingir 36 horas, a autofagia atinge seu pico, potencializando a regeneração celular. Alguns entusiastas acreditam que esse estágio promove um “reset” no organismo, mas é aqui que os riscos também se tornam mais evidentes.
O que você sente?
Possível aumento de energia ou, ao contrário, fadiga e tontura.
Clareza mental para alguns, mas dificuldade de concentração para outros.
Benefícios Potenciais do Jejum de 36 Horas
Pesquisas, como as conduzidas pelo neurocientista Mark Mattson, sugerem que o jejum prolongado pode oferecer benefícios como:
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Perda de peso: A queima de gordura é intensificada durante a cetose.
Melhora na sensibilidade à insulina: pode ajudar no controle do diabetes tipo 2.
Redução de inflamações: A autofagia pode diminuir marcadores inflamatórios.
Proteção contra doenças degenerativas: estudos preliminares associam a autofagia à prevenção de Alzheimer e outras condições.
Riscos e Efeitos Colaterais
Apesar dos potenciais benefícios, o jejum de 36 horas não é isento de riscos. Segundo o Instituto Nacional de Saúde dos EUA, jejuar por mais de 16 horas diárias pode aumentar o risco de:
Cálculos biliares: devido à sobrecarga na vesícula biliar.
Alterações de humor: irritabilidade e ansiedade são comuns.
Problemas digestivos: Como constipação ou desconforto abdominal.
Deficiência nutricional: em jejuns frequentes sem reposição adequada.
Pessoas com condições como diabetes, gravidez, ou histórico de distúrbios alimentares devem evitar a prática. Mesmo para indivíduos saudáveis, o acompanhamento médico é altamente recomendado.
O que Diz a Ciência?
A comunidade científica está dividida. Enquanto alguns estudos, como os de Mattson, destacam benefícios metabólicos e neurológicos, outros, como os do fisiologista James Betts, apontam que muitos resultados são baseados em pesquisas com animais, com evidências limitadas em humanos. A falta de estudos de longo prazo mantém o debate em aberto.
Quem Pode Fazer o Jejum de 36 Horas?
O jejum prolongado não é indicado para todos. Grupos que devem evitar incluem:
Pessoas com diabetes ou hipoglicemia.
Gestantes e lactantes.
Idosos ou indivíduos com condições crônicas.
Pessoas com histórico de transtornos alimentares.
Para quem deseja experimentar, o ideal é começar com jejuns curtos (12 a 16 horas) e observar as reações do corpo. Manter a hidratação e uma alimentação equilibrada nos períodos de alimentação é essencial.
Dicas para um Jejum Seguro
Comece devagar: experimente jejuns de 12 horas antes de avançar para períodos mais longos.
Hidrate-se: água, chás sem açúcar e bebidas sem calorias são fundamentais.
Monitore o corpo: preste atenção a sinais como tontura, fraqueza ou confusão mental.
Consulte um profissional: um nutricionista ou médico pode orientar a prática com segurança.
O jejum de 36 horas pode oferecer benefícios impressionantes, como a queima de gordura e a regeneração celular, mas também apresenta riscos que não devem ser ignorados. A biologia humana é complexa, e cada pessoa reage de forma única. Antes de adotar essa prática, é crucial entender seus limites e buscar orientação qualificada.
Enquanto a ciência continua investigando, o jejum intermitente permanece como uma ferramenta poderosa, mas não universal. Quer experimentar? Comece com moderação, ouça seu corpo e priorize sua saúde.
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