Com 90 anos e recém-infartado, Ives Gandra enfrenta acusação por texto de 1988
A filha do advogado criticou o processo ético-disciplinar que seu pai enfrenta na OAB-SP.
- Foto: @ivesgandradasilvamartins/Instagram/Reprodução
Notícias do Brasil – A jurista Angela Gandra, filha do renomado advogado Ives Gandra da Silva Martins, usou as redes sociais para criticar o processo ético-disciplinar que seu pai enfrenta na Ordem dos Advogados do Brasil, seccional São Paulo (OAB-SP). A manifestação foi publicada nesta terça-feira (20) na rede X (antigo Twitter), e ganhou destaque no meio jurídico e político.
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Na publicação, Angela lamenta a situação vivida pelo pai, que aos 90 anos, com 66 anos de advocacia e recém-recuperado de um infarto, precisou apresentar defesa oral na OAB-SP. “A obsessão vai anulando completamente a consecução da justiça”, escreveu. Segundo ela, a acusação é baseada em algo escrito em 1988, ano em que Gandra colaborou na Constituinte que deu origem à Constituição Federal em vigor.
O processo contra Ives Gandra foi movido pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e pelo Movimento Nacional dos Direitos Humanos (MNDH), após investigações da Polícia Federal encontrarem um documento no celular de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, que mencionava o jurista.
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De acordo com as investigações, o documento sugeria a viabilidade de uma intervenção militar com base em fundamentos constitucionais e teria sido elaborado com a participação intelectual de Ives Gandra. O material foi citado no inquérito que investiga a suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, envolvendo figuras ligadas ao ex-presidente Bolsonaro. Mauro Cid atualmente é réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por seu envolvimento no caso.
Apesar das acusações, Ives Gandra ainda não foi condenado e o processo segue em análise pelo Tribunal de Ética da OAB-SP. A defesa do jurista nega qualquer intenção golpista e afirma que seus pareceres jurídicos sempre estiveram baseados na legalidade e na interpretação da Constituição.
A repercussão do caso nas redes sociais tem dividido opiniões, especialmente pelo histórico de atuação de Gandra e seu papel como um dos nomes mais influentes do pensamento jurídico conservador no país.
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