Câmara de Envira cobra explicações do prefeito Ivon Rates sobre atraso no ano letivo para alunos da zona rural do município
Moradores temem perder auxílio do Bolsa Família.
Notícias de Envira – O presidente da Câmara Municipal de Envira (AM), vereador Abraão Cláudio (Republicanos), afirmou que o Legislativo não possui responsabilidade sobre a gestão da educação no município, rebatendo a prefeitura que tenta atribuir aos vereadores a culpa pelo atraso do início do ano letivo na zona rural do município. A resposta vem diante da indignação de famílias indígenas e ribeirinhas, que denunciam a ausência de aulas há quase seis meses e temem perder auxílio do Bolsa Família.
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Segundo Abraão Cláudio, a Câmara não tem gerência sobre a administração da educação e seu papel é fiscalizar as ações do Executivo. “Já protocolamos diversos pedidos de explicações ao prefeito, que até agora não respondeu oficialmente”, declarou o presidente.
O caso afeta diretamente cerca de 1.500 alunos, a maioria indígenas, que vivem em comunidades distantes. Eles ainda não iniciaram o ano letivo de 2025, o que, além de comprometer o direito à educação, gera insegurança nas famílias que temem perder o benefício do Bolsa Família, cujo repasse está condicionado à frequência escolar.
A prefeitura de Envira, comandada por Ivon Rates (PSD), havia anunciado o início das aulas para 24 de março, mas nenhuma unidade rural entrou em funcionamento até o momento. A gestão alega falta de materiais escolares, mas não apresentou um novo cronograma para o retorno das atividades. Em declarações públicas, o Executivo tenta responsabilizar vereadores da oposição e até a gestão anterior pela situação.
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A postura tem gerado revolta entre moradores da zona rural, que cobram uma solução urgente. “As crianças estão em casa sem aula. Não sabemos até quando isso vai continuar”, relatou um morador da comunidade Ipixuna.
Além da crise na educação, a gestão de Ivon Rates enfrenta sérios questionamentos na Justiça. O prefeito teve o mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), acusado de utilizar notas fiscais frias durante a campanha. Apesar da decisão, ainda permanece no cargo enquanto recorre ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Outro lado
Em nota enviada a nossa redação, a Prefeitura de Envira afirmou que os materiais necessários “já foram adquiridos” e que as aulas devem iniciar em breve, não esclareceu uma data. O comunicado ainda justifica o atraso com base na “desestruturação encontrada in loco”.
O não cumprimento do início das aulas na zona rural e indígena com base na data divulgada deu-se pela desestruturação encontrada in locos e aquisição de materiais necessários para o início” diz nota. Enquanto o impasse persiste, os estudantes continuam fora das salas de aulas e longe de um direito fundamental: a educação.
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