Acusado pela morte do sambista Paulo Onça responde por homicídio qualificado e pode ir a júri popular
Após cinco meses internado, artista não resistiu às agressões sofridas após briga de trânsito.

Foto: Reprodução
Notícias de Manaus – Teve início nesta sexta-feira (30) a audiência de instrução do comerciante Adeilson Duque Fonseca, acusado de espancar o sambista amazonense Paulo Onça após um acidente de trânsito ocorrido em dezembro do ano passado. Com a morte do artista na última segunda-feira (26), o processo foi reclassificado e Adeilson agora responde por homicídio qualificado.
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O caso aconteceu na madrugada de 5 de dezembro, quando os dois se envolveram em uma colisão na rua Major Gabriel, no bairro Praça 14, Zona Sul de Manaus. Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que o carro de Paulo Onça ultrapassa um sinal vermelho e bate no veículo de Adeilson. Após o acidente, o comerciante desce e inicia as agressões contra o músico, que desmaia.
Paulo Onça, que tinha 63 anos, foi socorrido em estado grave, passou por cirurgia e permaneceu internado por mais de cinco meses, mas não resistiu. Ele era conhecido na cena cultural do Amazonas e tinha parcerias com artistas como Zeca Pagodinho e Jorge Aragão, além de já ter composto para a escola de samba Grande Rio.
A audiência ocorre sob condução do juiz Fábio Olintho de Souza e conta com a atuação do promotor Marcelo Bitarães, do Ministério Público. As oitivas estão sendo realizadas de forma híbrida, com testemunhas sendo ouvidas presencialmente e por videoconferência.
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De acordo com a Justiça, prestam depoimento as testemunhas de acusação indicadas pelo Ministério Público, além de duas pessoas arroladas pela defesa. Há expectativa de que o próprio réu, Adeilson Duque, também seja interrogado ainda nesta etapa.
Encerradas as oitivas, o juiz deverá abrir prazo para apresentação das alegações finais tanto da defesa quanto da acusação. A partir disso, será decidido se o comerciante irá ou não a júri popular.
Prisão após fuga
Logo após as agressões, Adeilson Duque fugiu do local sem prestar socorro à vítima. A Justiça decretou sua prisão preventiva a pedido da Polícia Civil. Ele se apresentou espontaneamente no dia 7 de dezembro no 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP).
O filho do sambista, Paulo Sávio, relatou, na época, que o pai sofreu agressões violentas na cabeça até perder os sentidos. “Houve uma colisão entre os veículos. Eles discutiram e meu pai foi espancado até desmaiar. O agressor fugiu e não prestou socorro”, contou.
A morte do artista gerou grande comoção na cena cultural manauara. “Um guerreiro e não merecia esse fim”, declarou, emocionada, a esposa do sambista em entrevista anterior.
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