Advogado Nelson Wilians citado em fraudes no INSS diz que transações com empresário alvo da PF passam de R$ 15 milhões
Maurício Camisotti é apontado como o “beneficiário final” do esquema de descontos indevidos em aposentadorias realizados por três entidades conveniadas ao INSS.
- Foto: Divulgação
Notícias do Brasil – O advogado Nelson Wilians, um dos nomes citados no inquérito da Polícia Federal (PF) que apura um esquema bilionário de fraudes contra aposentados do INSS, afirmou a interlocutores que as transações realizadas com o empresário Maurício Camisotti ultrapassam os R$ 15 milhões que já vieram à tona na investigação. Segundo Wilians, esses valores seriam referentes a “antecipações de honorários advocatícios”, prática considerada fora do comum no mercado jurídico. A informação foi divulgada pelo site Metrópoles.
A declaração acontece em meio ao avanço das investigações da Operação Sem Desconto, deflagrada pela PF no dia 23 de abril, que levou à demissão do presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e à saída do ministro da Previdência, Carlos Lupi. A Controladoria-Geral da União (CGU) também participa das apurações.
Maurício Camisotti é apontado como o “beneficiário final” do esquema de descontos indevidos em aposentadorias realizados por três entidades conveniadas ao INSS. Os investigadores apuram se essas entidades agiam com o respaldo de contratos forjados para obter recursos diretamente das aposentadorias dos beneficiários, sem consentimento prévio.
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De acordo com fontes ligadas à investigação, a PF acredita que parte da movimentação financeira feita entre o advogado e o empresário pode ter sido descoberta a partir de documentos apreendidos na casa de Camisotti. A suspeita é de que essas transações sejam ainda maiores do que o valor inicialmente divulgado.
Histórico de relações com investigados
Antes de atuar como advogado da Ambec — uma das entidades apontadas como envolvidas nas fraudes —, Nelson Wilians também defendia a Prevident, empresa pertencente a Camisotti, em uma ação judicial contra a rescisão de um contrato milionário com a Geap, plano de saúde dos servidores públicos federais.
Esse contrato foi encerrado em 2019, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), sob a justificativa de que causava prejuízos à operadora. O próprio escritório de Nelson Wilians teve seu vínculo com a Geap encerrado no mesmo período, o que originou uma série de disputas judiciais envolvendo Camisotti, o plano de saúde e o advogado. As ações ainda tramitam no Judiciário de Brasília.
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Apesar do rompimento, os laços financeiros entre Wilians e Camisotti continuaram. O envolvimento direto entre os dois, revelado agora pela investigação, levanta dúvidas sobre o papel do advogado dentro da estrutura da fraude investigada pela PF.
Movimentações financeiras suspeitas
Nelson Wilians já havia sido identificado anteriormente pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) por movimentações consideradas atípicas. Segundo relatório obtido pelas autoridades, o escritório Nelson Wilians Advogados movimentou cerca de R$ 4,3 bilhões entre 2019 e 2024 — valor que chama atenção por seu volume e por envolver operações suspeitas.
O Coaf destacou, ainda, que entre outubro de 2023 e julho de 2024, justamente o período em que a “farra do INSS” atingiu seu auge, duas contas bancárias do escritório receberam R$ 449 milhões. Essa concentração de recursos em um curto espaço de tempo gerou alerta dentro dos órgãos de controle e se tornou parte central do inquérito.
A justificativa de Wilians de que os valores se referem a honorários advocatícios antecipados não convenceu completamente os investigadores, que consideram a prática incomum, principalmente na magnitude dos valores envolvidos e na ausência de registros detalhados que comprovem a legalidade dessas operações.
Defesa nega irregularidades
Em nota enviada à imprensa, o escritório Nelson Wilians Advogados declarou que não é alvo de investigação e que não recebeu qualquer notificação oficial das autoridades. A defesa sustenta que todas as movimentações financeiras feitas pela banca têm lastro documental e seguem os critérios legais e tributários vigentes no país.
“A relação com o empresário em questão limita-se à prestação de serviços jurídicos, sem se confundir, portanto, a figura do advogado com a do seu cliente. Os valores pagos a ele referem-se à compra de um imóvel, em transação privada, formalizada por contrato e devidamente registrada — sem qualquer relação com a atividade profissional da banca”, diz nota.
Leia nota completa:
“Diante do vazamento indevido e possivelmente ilegal de informações protegidas por sigilo, envolvendo movimentações financeiras de uma das contas bancárias do Nelson Wilians Advogados, esclarecemos que os valores mencionados são plenamente compatíveis com a estrutura e a atuação do escritório.
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O escritório não é alvo de investigação e não foi notificado por qualquer autoridade a respeito disso. As transações financeiras são legítimas, privadas e absolutamente desvinculadas de qualquer investigação sobre fraudes ou quaisquer crimes.
A relação com o empresário em questão limita-se à prestação de serviços jurídicos, sem se confundir, portanto, a figura do advogado com a do seu cliente. Os valores pagos a ele referem-se à compra de um imóvel, em transação privada, formalizada por contrato e devidamente registrada — sem qualquer relação com a atividade profissional da banca.
É importante ressaltar que uma operação classificada como “suspeita” não significa, em absoluto, que seja uma operação ilegal.
Tanto é assim que a própria matéria reconhece expressamente que o advogado mencionado não é investigado.
Reafirmamos o nosso compromisso com a legalidade e a ética no exercício da advocacia”.
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