Marcas chinesas avançam no Brasil e acendem alerta na indústria de eletroeletrônicos
Empresas como Oppo, Hisense e Midea ganham espaço com produtos premium, preços competitivos e produção local.

Foto: Reprodução
Notícias de economia – A chegada acelerada de grandes marcas chinesas ao setor de eletroeletrônicos no Brasil tem chamado a atenção de representantes da indústria nacional. Empresas como Oppo, Midea, Hisense e a recém-chegada Jovi estão ampliando sua presença no mercado brasileiro, combinando produtos de alto padrão, preços agressivos e, em alguns casos, parcerias para produção local.
O movimento segue o modelo adotado por empresas japonesas nos anos 1990 e sul-coreanas nos anos 2000. A diferença, porém, está na escala industrial chinesa e no apoio governamental da China para expandir suas marcas globalmente.
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Investimentos e produção local
Entre os movimentos recentes, a Oppo firmou parceria com a brasileira Multi para fabricar celulares no país, enquanto a Midea investiu R$ 600 milhões em uma nova fábrica em Minas Gerais, embora parte dos produtos continue sendo importada.
O avanço também inclui a Realme, que inaugurou uma unidade em Manaus, com capacidade para produzir 20 mil celulares por dia, e a Hisense, que aposta em TVs de grande porte, projetores 4K e equipamentos de ar condicionado, além de utilizar a marca Toshiba, de sua propriedade, para fortalecer sua atuação no Brasil.
Já a Jovi, que precisou mudar de nome após conflito judicial com a operadora Vivo, iniciou operação no país com promessa de fabricação local, em parceria com a GBR Componentes.
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Preocupações do setor
O crescimento dessas empresas levanta preocupações sobre os efeitos no parque industrial brasileiro. Especialistas avaliam que, embora os consumidores se beneficiem de preços mais baixos e maior oferta tecnológica, há riscos de desindustrialização e aumento da dependência tecnológica externa, especialmente se a expansão ocorrer sem exigência de contrapartidas, como transferência de tecnologia e geração de empregos qualificados.
“O Brasil corre o risco de se tornar apenas um mercado consumidor, sem desenvolvimento local de tecnologia de ponta”, alerta um especialista do setor.
Outro ponto de atenção é a concorrência desigual. Enquanto as empresas chinesas podem operar inicialmente com grande volume de produtos importados e custos menores, as empresas nacionais enfrentam burocracia elevada, custos de produção altos e instabilidade cambial, o que torna difícil competir no mesmo patamar.
Desafio para o futuro
Para analistas, a expansão chinesa representa tanto uma oportunidade de modernização tecnológica quanto um desafio econômico. O cenário, segundo eles, exige uma resposta estratégica do Brasil, com políticas industriais, incentivos à inovação e exigências de produção local para evitar que o país se torne excessivamente dependente de tecnologia externa.
Sem essas medidas, há o risco de repetir erros do passado: abrir o mercado sem fortalecer a própria indústria, com impactos diretos na geração de empregos e no desenvolvimento tecnológico do país.
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