Lula perde espaço e Direita ganha terreno entre eleitores de baixa renda, diz pesquisa
Com discurso envelhecido e pouca conexão digital, presidente vê adversários crescendo entre os mais pobres.

Foto: © Marcelo Camargo/Agência Brasil
Notícias de política – A mais recente pesquisa Quaest sobre a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva revela uma mudança preocupante para o governo: nomes da direita estão avançando entre os eleitores que ganham até dois salários mínimos — tradicionalmente a base mais fiel do lulismo. A tendência foi destacada em reportagem do jornal O Globo, que identificou crescimento de até nove pontos percentuais para alguns líderes conservadores nesse segmento.
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Embora Lula ainda vença todos os adversários nesse grupo, a diferença vem diminuindo. Contra Tarcísio de Freitas, por exemplo, o petista caiu de 58% para 49% das intenções de voto. Já Ronaldo Caiado reduziu a vantagem de Lula de 62% para 51%. O governador de São Paulo saltou de 20% para 29%, enquanto Caiado saiu de 15% para 26%. Outros nomes como Jair e Michelle Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, Ratinho Jr., Romeu Zema e Eduardo Leite também apresentaram avanços, ainda que mais modestos.
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Além da queda nas intenções de voto, a desaprovação do presidente ultrapassa os 60%. Um dado especialmente revelador mostra que 63% dos entrevistados concordam com a afirmação de que Lula “perdeu a conexão com o povo”. Esse número sobe para 68% entre os jovens de 16 a 34 anos, e fica em 59% entre os beneficiários do Bolsa Família.
Analistas apontam que parte do problema está na comunicação do presidente. Lula, que não utiliza celular e depende de sua equipe para gerir redes sociais, parece alheio ao tom mais direto e informal exigido pelas plataformas digitais. A espontaneidade, dizem os especialistas, hoje é essencial para manter a proximidade com o eleitorado. Seus adversários à direita, por outro lado, dominam esse ambiente — até mesmo Tarcísio, que antes era considerado tímido nesse campo.
Outro fator que pesa contra o presidente é a percepção de que os programas sociais que marcaram seu legado (como o Bolsa Família, o ProUni e o Minha Casa, Minha Vida) se tornaram políticas de Estado. Ou seja, a população já não teme sua extinção sob um governo conservador. O que os eleitores agora buscam é mobilidade social real, mais oportunidades de ascensão no mercado de trabalho e melhores condições para empreender — metas que o atual governo ainda não conseguiu entregar.
Mesmo com um cenário de desemprego relativamente baixo, a estagnação nas empresas e os altos juros minam o otimismo da base popular. Para analistas políticos, Lula precisará renovar tanto o conteúdo quanto a forma de seu discurso se quiser manter competitividade em 2026. Caso contrário, figuras como Tarcísio de Freitas podem se consolidar como herdeiros naturais do bolsonarismo entre os mais pobres — justamente o público que, por duas décadas, sustentou o petismo no poder.
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